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4/4/08

Prezado Leitor, depois de quase dois anos de atividade com esta página on-line, gostariamos de agradecer a enorme satisfação e audiência de podermos compartilhar com vocês sempre um conteúdo inédito e dinâmico, com grande envergadura de participação política, cultural e social que esta ferramenta virtual proporcionou. Sendo assim, este blog terá a função de ser um instrumento de consulta e pesquisa dos nossos arquivos.  Este espaço coletivo de idéias fica a partir deste momento inativo, porém nossa produção e divulgação do conhecimento terá continuidade no novo espaço interativo, alocado em novo endereço com muito mais serviços, com mais interatividade e novidades.

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WWW.NCPAM.COM

Boa Leitura!


- Postado por: Comissão Editorial às 01h18 AM
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1/4/08

TECENDO IDÉIAS


Foto: Núbia França 


 

EDUCAÇÃO INDÍGENA

* Max Carphentier 

Publicado pela UEA o livro Educação Indígena, de autoria do professor Ademir Ramos (Coordenador) e sua equipe. Selecionando e iluminando temário complexo; proclamando e debatendo a prática de conceitos antigos e novos, essa obra, como se fora tenda transcultural dotada de computador e flecha, promove a fala das fogueiras no duro cenário intelectual e político que envolve a educação escolar dos povos indígenas. Uma palavra transborda mais de suas páginas: respeito.  

Respeito pelas raízes autóctones, profundas na terra e invasoras dos céus pela carga de anseios. São galhos-braços aflitos que pedem pela ressurreição das ternuras extintas; frutos-fisionomias que não compreendemos ou dos quais tentamos esquecer, por omissão, a interrogadora soma de sementes. Respeito pelo destino humano, caminho de muitas moradas, de súbitos desvios, de amanheceres que são belos porque foram noites, de atalhos antagônicos que finalmente se submetem ao vértice calado que chama todos para as permutas culturais; que chama todos para a convivência operativamente fraterna; que chama todos, homens e instituições, a contribuírem com seus dons à pacificação das sombras rebeladas.  

Nas ciências físicas, sociais e espirituais, do microcosmo da biologia à monumentalidade das civilizações, à transcendência da teologia mística, tudo assistido e esclarecido pelo olho educacional, é certo que encontramos as multiplicas fisionomias do respeito vestidas ou chamadas de evolução, experiência, revolução, autodeterminação, ação de graças, união esponsal da alma.  

Parece que respeito é a palavra comum, identificadora de laços entre o cientista e o santo, o professor e o guerreiro. É a senha unânime que todos apresentam para acesso à matéria, à paz, ao espírito, ao Mistério. 

Quatro capítulos densos espelham a superfície e agitam as profundezas da questão, indo do etnocentrismo às ações missionárias, do Estatuto do Índio ao currículo das escolas indígenas. Tudo há de ser lido com aquela atenção devida à dignidade das súmulas, e nessa postura o leitor “terá como referência a contemplação das palavras (...) com o objetivo de compreender o significado das coisas em seu contexto determinado.” Façamos um exercício: 

Capítulo I – O contexto histórico da educação escolar indígena no Brasil. O clamor das lutas dos índios fora silenciado pela historiografia oficial e manifestações culturais foram reduzidas à “prática de barbarismo.” Determinada concepção e prática do etnocentrismo pode ser opressora de povos, levando em conta apenas a superioridade técnica, como se a velocidade tecnológica fosse o valor decisivo das civilizações e dela dependesse o usufruto da vida. O Conselho Indigenista Missionário, Mário Juruna e Darcy Ribeiro estiveram juntos no apoio aos movimentos indígenas. A Constituição de 88, reconhecendo os direitos fundamentais das comunidades autóctones, gerou paradigmas jurídicos e políticos que favoreceram o surgimento da nova escola indígena. Juruna, parlamentar xavante, discursava contra o regime que se instalara em 1964: “Como tutelados, ninguém tem liberdade, ninguém vive a vontade própria.” Trata-se agora de realizar na cátedra as conquistas da tribuna, de tanger a visão dos discursos para dentro das salas de aula. 

Capítulo II – A educação escolar indígena no Amazonas. A conquista da região determinou os primeiros rumos da educação escolar.  Colonos e missionários não se entendiam na forma de administrar a força de trabalho indígena e, ambas as vertentes de colonização, pela dificuldade da muralha lingüística, não conseguiram absorver a experiência milenar dos homens da selva. Após a Constituição Federal de 1988, a antiga concepção assimilacionista, no cenário da educação, é abandonada, para dar lugar a “afirmação de uma educação diferenciada, específica, bilíngüe e intercultural numa perspectiva de políticas públicas.” Uma Comissão Interinstitucional elaborou as Diretrizes para a Educação Escolar Indígena no Amazonas, em que se destacam “estratégias de um trabalho participativo onde a organização e a solidariedade caminhem juntas, fazendo com que esses povos sejam os autores e os sujeitos do seu próprio desenvolvimento.” Organização voltada para as reivindicações, participação em todas as etapas do processo educativo, solidariedade que compartilha problemas e soluções. 

Capítulo III – O movimento indígena e a formulação de políticas públicas. No processo de expansão do movimento indígena, destaca-se o apoio do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), ligado à CNBB, e da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira). Os professores indígenas do Amazonas, Roraima e Acre, reunidos em Manaus em 1994, reafirmam 15 princípios norteadores das escolas indígenas, entre os quais: currículos e regimentos específicos para as escolas; formação para os professores e laboratórios para os alunos; isonomia salarial; garantia do uso das línguas indígenas e dos processos próprios de aprendizagem. Destaque-se que “As escolas indígenas deverão atuar junto às comunidades na defesa, conservação, preservação e proteção de seus territórios.” Em 2001, surge a Declaração de Princípios entre Governo do Amazonas e Povos Indígenas (Novos Parâmetros para a Política Indigenista), com o objetivo de, por exemplo: ampliar espaços, promover discussões e articulações entre as instituições governamentais e as comunidades indígenas; promover o etnodesenvolvimento, tendo como base a Educação Escolar Indígena Diferenciada; respeitar as culturas indígenas, reconhecendo suas crenças, seus costumes e suas tradições. 

Capítulo IV – Desafios e perspectivas da educação escolar indígena. Ressalte-se neste capítulo a informação de que a Resolução n.003/99 institucionaliza a “criação da categoria da escola indígena e carreira específica do magistério indígena”. Uma crítica mostra como tem sido os objetivos da educação formal ministrada aos índios, e são identificadas concepções errôneas, sob rótulos como “são todos iguais”, “são do passado”, “são aculturados”. Um projeto político-pedagógico de respeito não excluirá o enfrentamento dos conflitos existentes nas comunidades e deverá mostrar e discutir interesses, objetivos e ideologias e, sobretudo, tornará “a escolarização indígena uma ação humana e participativa, historicamente construída.”  

Os currículos fugirão de ser cópia das escolas oficiais e levarão em conta os aspectos antropológicos e os processos próprios, a especificidade de cada povo. São muitas as demandas apresentadas pelo Movimento Indígena, diante de experiências fragmentadas, abandonadas e descontínuas. Em que escaninho político-burocrático ficou a implantação do Centro de Estudos Superiores Indígenas (CESI)?  A questão educacional indígena, esclarecedora de direitos, está no centro dos debates sobre a megabiodiversidade brasileira. Agenda séria de proteção da Amazônia jamais dispensará a educação indígena como estratégia cidadã, duradoura e fecunda, combatendo na paz e no triunfo das tradições conhecidas, compreendidas, satisfeitas, íntegras na multiplicidade das novas fisionomias adotadas. 

Uma bibliografia de peso remete ao aprofundamento dos tópicos deste livro edificante, gesto esclarecido de promoção humana. Cinco anexos, entre eles um estudo do professor José Jorge de Carvalho, flagram em fotografias, conceitos e propostas recortes sérios da realidade. É um livro que não quer terminar, e não termina. Expande-se no tempo a sua contribuição tão necessária ao entendimento da transfiguração étnica, fenômeno pelo qual um povo, para validamente sobreviver, resiste e modifica, permuta e assimila, sob a poderosa e sofredora inteligência das raízes; sob a escuta dos mais fundos clamores da terra; sob a irresistível força ascensional em que a escalada humana, em avanços e recuos, há de sempre convergir para sempre transcender.

Cumprimento com abraço feliz o professor Ademir Ramos e sua equipe. Parabéns! Respeitosamente. 

 

* Escritor e membro da Academia Amazonense de Letras do Amazonas.

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 08h06 PM
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30/3/08

MIRANTE DO COTIDIANO

 

 

 

Enceradeiras, ventiladores, ferros elétricos, geladeiras, batedeiras, torradeiras, aspiradores de pó, ares-condicionados, aparelhos de som, televisores. A julgar pela enxurrada de eletrodomésticos que invadia as casas da classe média e os sonhos de consumo da sociedade brasileira, o país não deixava nada a dever aos ricos e invejados primos norte-americanos. A felicidade era traduzida por um carrinho de supermercado lotado e o aumento crescente nas contas de eletricidade.

 

O mais feliz e afortunado ostentavam a concretização do “sonho da casa própria”, com jardim, garagem, cachorros, gatos, papagaios, crianças e, por que não, pingüins de geladeira. Os fuscas já haviam se tornado carros populares. Chique era ter um Opala, um Mustang, um Dodge Charge, um Puma, um Maverick.

 

Todos participavam da aldeia global. Criada em 1965, a Rede Globo de Televisão conseguia alcançar a liderança de audiência ao final dessa década, com suas novelas, programas humorísticos, programa de auditório e documentário. Mas o campeão de audiência era o Jornal Nacional.  Seguindo à risca as orientações da censura e veiculando matérias sempre favoráveis ao regime militar, tornou-se a principal fonte de informações num país iletrado e censurado (a classe média no Amazonas, mesmo sem captar o sistema tinha em sua sala de visita o aparelho de TV).

 

Com a prisão e o exílio de muitos de seus maiores intelectuais e artistas, e com a ofensiva da televisão, o país ficou irremediavelmente menos crítico e reflexivo. Ouviam-se cada vez mais músicas norte-americanas, de cujas letras a imensa maioria mal conseguia compreender o título. Na esteira da Jovem Guarda, tendência musical iniciada na década de 1960, intérpretes de ínfimas qualidades musicais elaborava versões de sucessos internacionais ou criavam suas baladas românticas para delírio das multidões. O regime patrocinava grupos musicais e duplas de cantores como Dom e Ravel, responsáveis por uma das mais difundidas composições do período: “Eu te amo meu Brasil, eu te amo/ Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil/Eu te amo/ Ninguém segura a juventude do Brasil”.

 

Mas nem tudo era superficialidade. Adolescentes e pré-adolescentes de classe média colecionavam selos, figurinhas, jogos de futebol de botão, latinhas de cerveja e embalagens de cigarros importados, plásticos e adesivos de marcas de automóveis e até tampinhas de garrafas.

 

Esse ambiente de claro declínio cultural e político ajudam a explicar o fracasso da luta armada como alternativa contra a ditadura. Os guerrilheiros isolam-se da sociedade, buscando afirmar-se como a vanguarda do processo revolucionário. A sociedade queria e se dispunha, no máximo, a acompanhar a Jovem Guarda. Por enquanto.

(Campos, Flávio. Oficina de história, São Paulo: Moderna, 2000. p. 338/9)  


- Postado por: Comissão Editorial às 01h48 PM
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29/3/08

MIRATINGA

 

Manifesto dos Alunos Negros da Bahia 

“Não há mais espaço para discursos e ações evasivas. O momento após implantação do Sistema de Cotas na Universidade Federal da Bahia (UFBA) é de luta e resistência. O dia depois de ingressar na universidade é semelhante ao dia após a libertação da população escravizada. Depois de muita festa e muita alegria, chega o deslumbramento pela novidade, e logo depois chega o choque com a realidade. Realidade está nua e crua como a de antes, porque não temos como cursar uma graduação sem os mecanismos que proporcionem a permanência. O estudante cotista quando chega à universidade, está completamente perdido e deslumbrado com o universo desconhecido que adentrou. O estudante negro está duplamente perdido, num universo desconhecido e racista. A Calourosa UFBA não proporciona para a calourada negra uma recepção na altura de sua histórica importância na cidade mais negra fora da mãe África. Sentimos a necessidade de implantar neste mesmo espaço uma calourada negra, sem trotes e humilhações, com ícones negros de dentro e de fora da universidade e em nossos stands, apresentação de filmes, músicas de qualidade com o recorte étnico, que retratam a nossa realidade, como também nossa vida cotidiana acolhendo os novos estudantes, filhos da diáspora africana no merecido afro-glamoor”. 

O manifesto é muito mais amplo e vem assinado pelo Núcleo de Alunos Cotistas da UFBA – Mojubo, em cooperação com o Instituto Conexão Tribal – ICT, definindo ações concretas para se garantir objetivos e propósitos de ação afirmativa nacional e mundial, visando intercâmbio cultural, artístico, ensino, aprendizado e cooperação sustentável. Possivelmente, esse grito étno-racial deverá se multiplicar por todo o Brasil.  

 

Golpe Contra a Democracia 

A luta pela Democracia no Brasil, necessariamente, se fortaleceu na resistência contra o golpe militar de março de 1964, contrariando Atos Institucionais, que castravam a liberdade do povo e a representatividade popular do Congresso Nacional, prendendo, arrebentando, torturando e matando lideranças estudantis, bem como políticos comprometidos com a causa da Justiça Social pró-Reforma Agrária, Educação para Liberdade, Livre Organização e Reforma de Base, garantindo a participação popular nas instâncias de governo com autonomia e determinação. 

Nas disputas das idéias e dos projetos políticos as Forças Armadas por desvio institucional, contrariando a Constitucionalidade da ordem Democrática, resolve, sob o comando de truculentos generais, com apoio total dos Estados Unidos da América (EUA), marchar contra o povo depondo o Presidente da República João Goulart e, instaurando a ferrenha ditadura militar que perdurou por mais de 20 anos, tendo a frente os iluminados generais comandados pela Escola Superior de Guerra em sintonia com os EUA, as agências financeiras internacionais, bem como as empresas multinacionais. 

Com a censura instalada nos meios de comunicação social nada se sabia publicamente, mas a corrupção se alastrava de forma corrosiva, em nome do milagre brasileiro, comprometendo as Instituições Democráticas e endividando a Nação brasileira em nome da ordem do dia: “segurança e desenvolvimento”. 

 

Memória Estudantil 

Na luta pela liberdade, por todo o mundo, o movimento estudantil tem tido perdas significativas. No Brasil, o militante Chico Alencar, autor de “BR-500 – Um guia para a redescoberta do Brasil”, presta nesta data o seu depoimento histórico referente à morte de Edson Luís.  

Declara o autor, que “já se passaram quarenta anos desde aquele 28 de março de 1968, mas as cenas ainda estão vivas na minha memória: estudantes pobres que freqüentavam o Restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, protestavam contra a má comida e contra o projeto – vitorioso, afinal – de derrubar o prédio para se construir um viaduto. Naqueles tempos de ditadura militar manifestações de rua não eram toleradas. A polícia chegou jogando bombas e um tiro atingiu Edson Luís de Lima Souto, 18 anos, que morreu na hora. Seu corpo ensangüentado foi carregado pelos colegas até o Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia. Aquela morte foi o estopim de um forte movimento estudantil. Edson Luís virou símbolo da resistência contra os inimigos das liberdades e, hoje, é nome de muitos diretórios acadêmicos em todo o país”, conclui Chico Alencar.         


- Postado por: Comissão Editorial às 12h57 PM
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27/3/08

RESPONSABILIDADE SOCIAL E AS INTERPRETAÇÕES  

* Priscila Riscado

“O Brasil terá pouco espaço para ser um ator de destaque no mercado global responsavelmente competitivo caso não crie políticas públicas eficientes para isso. Embora, iniciativas do setor privado tenham crescido, o país ainda está muito distante de seu potencial e, possivelmente, crescerá menos que outros países em desenvolvimento (Rússia, Índia, China e África do Sul) no mercado internacional. Esta é a opinião de especialistas convidados para analisar o relatório ‘O Estado da Competitividade Responsável’, em evento realizado pela Serasa, no último dia 18/03/2008. O estudo é uma avaliação feita pelo Instituto de Pesquisa Social e Ética AccountAbility, sediado em Londres, Inglaterra, com a colaboração da escola de negócios brasileira, Fundação Dom Cabral, sobre práticas empresariais responsáveis ao redor do mundo.” (Fonte:http://mercadoetico.terra.com.br/noticias.view.php?id=2565. Data de acesso:25.03.2008)  

O parágrafo acima foi destacado de matéria publicada em um informativo que privilegia em sua publicação temas ligados as políticas públicas de maneira geral. No entanto, achei interessante porque a discussão, tal qual venho observando em diversas publicações une, em mesma arena de debate políticas públicas (implementadas pelo Estado, em todas as suas esferas de governo) e ações socialmente responsáveis, oriundas da iniciativa privada. 

Como disse anteriormente, esta não é primeira vez que observo esta associação. E não acredito que a mesma possa ser feita - ao menos, não desta maneira - por uma questão simples: posturas socialmente responsáveis adotadas por empresas NÃO PODEM ser consideradas como POLÍTICAS PÚBLICAS. São duas ações absolutamente distintas. Explico por que.

Tratemos em primeiro lugar de políticas públicas. Existem diversas definições do que vem a ser política pública. Mas, por uma questão pessoal e metodológica, escolho a seguinte: Políticas Públicas referem-se ao conjunto de ações coletivas voltadas para a garantia dos direitos sociais, configurando um compromisso público que visa dar conta de determinada demanda, em diversas áreas. Expressa a transformação daquilo que é do âmbito privado em ações coletivas no espaço público” (Guareschi, Comunello, Nardini & Hoenisch, 2004, pág. 180).

Dito isso, vejamos o que é a responsabilidade social: “São ações que vão além da “letra da lei” e que não resultam de um embate político com sindicatos ou organizações de trabalhadores. É, na verdade, apenas e necessariamente um conjunto de ações que vão além do que é requerido por lei, obrigação ou por necessidade. (Cheibub e Locke, 2000) 

A partir da exposição destas definições, e na tentativa de se criar um debate - ainda que sob bases teóricas brevíssimas1 - chamo a atenção para o que parece, à primeira vista, um grave erro de análise: não podemos, de maneira alguma, confundir as ações e/ou  iniciativas sociais implementadas por empresas, no âmbito da esfera privada, com ações sociais relacionadas a políticas públicas - como saúde, educação, entre outras - de responsabilidade do Estado, em suas diversas esferas.

As ações socialmente responsáveis podem ser – e é um ganho, ou melhor, são ações de outra natureza que podem vir a beneficiar seus públicos-alvos. Mas elas são executadas por vontade das empresas, e não prescindem de controle ou obrigatoriedade por parte do Estado. Ademais, elas são, em geral, associadas às especificidades de suas gestoras (as empresas).

Portanto, não atendem apenas ou exclusivamente aos interesses e prioridades da comunidade. Podemos até acreditar que os programas de responsabilidade social conferem um “empowerment” as comunidades beneficiadas, sem ser mensurado em avaliações feitas pelas empresas. No entanto, isto é tema para outra discussão.

De modo algum quero aqui depreciar ou ir contra as ações socialmente responsáveis desenvolvidas pelas empresas. Todavia, acredito que a discussão sobre o tema é muito mais ampla e complexa. Por isso, acredito que não podemos nos confundir com os papéis dos atores dentro da sociedade - em especial, na sociedade brasileira, em que a inversão de papéis é ato comum e corriqueiro.

 

* Doutoranda em Ciência Política pelo PGCP-UFF; além de pesquisadora convidada do FGV Opinião/CPDOC/FGV-Rio e membro do NCPAM.

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 07h31 PM
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25/3/08

BR-319 E AS PROMESSAS ELEITORAIS


Disponibilidade: www.transpoonline.com.br

 

* Ademir Ramos

O Amazonas tem sofrido várias formas de agressão que comprometem a qualidade de vida do homem nesse território, que historicamente, tem recorrido às calhas dos rios para encontros culturais ou atividades de escambo.

No passado, a ditadura militar sob as bênçãos do milagre brasileiro resolveu rasgar Amazônia construindo Estradas as margens dos rios, para beneficiar construtora e desviar recursos oriundos do Banco Mundial e outras agências financeiras internacionais, endividando o povo brasileiro e depredando o meio ambiente.

Estas e outras façanhas da militarização fundamentavam-se no binômio: segurança e desenvolvimento. Os slogans eram marcas dos discursos dos militares, onde segundo eles, só eles amavam a Pátria, os demais a subvertiam.

Para Amazônia, os iluminados “verde oliva” resolveram cunhar um slogan cuja mensagem era “integrar para não entregar”. Dessa feita, nomeavam um inimigo externo, buscando garantir unidade sob salvaguarda da ditadura.

Assim, o pensamento único imperava sob a ponta das baionetas e a mira das metralhadoras a mando do generalato golpista, que controlava Brasília. Pensar contrário, não podia. Duvidar das intenções do “verde oliva” era colocar em risco a sua vida, dos seus companheiros e de sua família. Vivíamos sob o signo do medo, da tortura e da mentira.

Nessa circunstância, começam a construir as estradas, quase sempre, paralelas aos grandes rios, que banham o nosso território verdejante. A marca desse tempo é transamazônica e outros desastres ecológicos.

A BR 319, ligando o Amazonas a Porto Velho, é um dos braços dessa malha rodoviária concebida pelos militares, estrategicamente, para integrar o Amazonas ao Brasil. No entanto, as obras foram esquecidas e, o pior de tudo, os moradores que habitam as margens foram inteiramente abandonados nesses rincões amazônicos.

O governo Lula, por meio do então Ministro Alfredo Nascimento tomou como bandeira a reconstrução da BR 319, enquanto o candidato Alfredo Nascimento declarava a imprensa, que 2005, bem que poderia ser o ano da BR 319: “Tanto é verdade que do orçamento de R$ 6 bilhões para investimentos este ano em todo o setor de transportes no País, o Governo vai destinar parcela considerável para a Amazônia.  Só para a rodovia BR-319, o Ministério do Transporte vai desembolsar R$ 100 milhões”.

Passado 2005, as promessas ecoaram pelo segundo mandato do governo Lula, com o ministro Alfredo Nascimento (PR) eleito Senador da República, prometendo asfaltar a BR-319 e garantindo sua permanência no Ministério do Transporte. Promessas, só promessas e assim, o Amazonas padece dos males eleitorais e das rinhas disputadas entre os lobistas para extrair riqueza, em favor dos interesses de grupos com representações transnacionais mediados por banqueiros ecos-rufião, que de imediatos converteram-se em ambientalistas do planeta aliados com governantes de duvidosos comportamentos republicanos.

 

* Coordenador geral do NCPAM, antropólogo e professor da UFAM. contato: ncpamz@gmail.com

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 08h46 PM
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23/3/08

MIRANTE DO COTIDIANO

 
Disponibilidade: http://www.webciencia.com/09_indios.htm

 

“Se quiseres ser poeta, cria obras capazes de responder ao desafio de tempos apocalípticos”.(...)” Manifesta-te! Mobiliza-te! O silêncio é cumplicidade”.  Lawrence Ferlinguetti

 

PALAVRAS DA TRIBO

* Aníbal Beça

 

Quem há de me culpar

pela omissão

se irado  sentimento

me exaspera

aos gritos dessas vozes

sem mais cores

de êxtase desbotado

em desespero

tangendo um tanto cedo as muitas dores

do verde esmaecido

da floresta

da gente antiga expulsa de arredores

que eram posses das tribos

desde sempre. 

Eu vi meninos vi

os nossos índios

curumins, as cunhãs,

velhos guerreiros

degradados, pedintes, invasores

esbulhando terrenos

de terceiros

à mercê da justiça

e seus valores. 

Então me perguntei:

“Que poesia

escrever nesse tempo de ruínas?” 

Se me calo alguém logo

já  me enquadra

como poeta cúmplice da farsa

engagée

anacrônico

ecochato

Ah, mas a flecha em chama da palavra

retesa em arco trágico

dispara

e vai e atinge o alvo

do silêncio.

Adeus lirismo!

Sangra meu repúdio. 

 

* Poeta amazonense, membro da Academia Amazonense de Letras e Presidente do Conselho Municipal de Política Cultural em Manaus.


- Postado por: Comissão Editorial às 02h24 PM
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22/3/08

MIRATINGA

AMAZÔNIA EM PERIGO 


Disponibilidade:  www.segundasintencoes.wordpress.com/2007/09/

 

EUA: Combate ao Movimento Indígena

Em recente publicação na Folha de S. Paulo (12/03), o respeitado professor e sociólogo, Boaventura de Souza Santos, analisou a estratégia dos Estados Unidos da América (EUA) referente à ocupação e controle do território latino-americano. A “Estratégia Continental”, segundo Souza Santos, é promover a guerra contra o terrorismo, incluindo ações de grande visibilidade e ações secretas.

“Entre estas estão os atos de espionagem e de desestabilização de que a Bolívia, a Venezuela e a tríplice fronteira (Paraguai, Brasil e Argentina) são os alvos privilegiados. Na Bolívia, bolsistas norte-americanos da Fundação Fulbright são chamados à Embaixada dos EUA para dar informações sobre a presença de cubanos e venezuelanos e movimentos suspeitos dos indígenas, enquanto os separatistas extremistas de Santa Cruz são treinados na selva colombiana por paramilitares”.

Para o sociólogo, o fato novo, quanto às ações de desestabilização do movimento, é a participação de “empresas militares e de segurança privada, contratadas pelos EUA ao abrigo do Plano Colômbia, dotadas de imunidade perante a Justiça nacional”.    

 

Movimento Indígena sob Controle

A grande ameaça aos interesses dos EUA, no território latino-americano, “são as forças progressistas e, em especial, os movimentos indígenas e camponeses”. Esta é uma das conclusões que o professor Boaventura de Souza Santos anuncia em seu artigo publicada na Folha de S. Paulo. E explica porquê: “as força políticas progressistas ameaçam a dominação territorial dos EUA com medidas que procuram fortalecer a soberania dos países sobre os recursos naturais e alterar as regras de repartição dos benefícios da sua exploração. Mas a maior ameaça provém daqueles que invocam direitos ancestrais sobre os territórios onde estão esses recursos, ou sejam dos povos indígenas”.

Ainda mais, esclarece o professor Souza Santos, a inteligência dos EUA comprova por meio de Relatório do Conselho Nacional de Informação: “Tendência Globais 2020”, avaliando os cenários ameaçadores a segurança dos Estados Unidos da América, que as reivindicações territoriais dos movimentos indígenas “representam um risco para a segurança regional” e são um dos “fatores principais que determinarão o futuro latino-americano” (...). “Esses grupos poderão estabelecer relações com grupos terroristas internacionais e grupos antiglobalização (..) que porão em causa as políticas econômicas das lideranças latino-americanas de origem européias”. 

 

O Grande Golpe

Dessa feita, a estratégia em curso dos EUA é desestabilizar o movimento indígena na América Latina e demais força movida pela ancestralidade, recorrendo a variados instrumentos. Para o cumprimento de suas metas, os Estados Unidos da América têm investido em Programas de Meio Ambiente por meio da United States Agency for International Development (USAID), principalmente na Amazônia, junto às organizações indígenas local, com o objetivo segundo a USAID, de “aumentar os benefícios sustentáveis em termos ambientais e as oportunidades econômicas para as populações desfavorecidas do meio rural; reduzir o desmatamento; minimizar, de maneira geral, o impacto ambiental das futuras tendências de uso e ocupação do solo em grandes áreas geográficas do Brasil, principalmente na Amazônia; e, ao mesmo tempo, continuar a reduzir o impacto global das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade – www.brazil.usaid.gov ”.

Ao contrário, havendo resistência, o movimento indígena será criminalizado e transformado “na próxima geração de terrorista e para enfrentá-lo seguir as receitas indicadas no relatório tolerância zero: reforço das despesas militares e estreitamento das relações com os EUA”, conclui o professor Boaventura de Souza Santos.

 


- Postado por: Comissão Editorial às 01h52 PM
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20/3/08

REDESCOBRINDO O CONTINENTE AFRICANO

* Aquiles Pinheiro

Reconhecido como verdade, esse pensamento de tendência hegemônica, apresenta-se isento de indagações, perpetuando as idéias de cisão entre as Áfricas, da não-historicidade da “África negra” e dos estereótipos raciais.

Entretanto, discordando dessas afirmações valendo-se de importante documentação obtida em arquivos da África e da Europa, apontam os intercâmbios entre as Áfricas além de ressaltar a historicidade das sociedades subsaarianas e a complexidade, em graus variados, de suas organizações sociais e políticas.

O exemplo mais significativo é o trabalho do administrador colonial e historiador Maurice DeLafosse que, fazendo uma cuidadosa leitura nos manuscritos de Al‘Mari, pôde identificar o nome exato da capital do Mali, Nyeno ou Niani, próxima da aldeia do mesmo nome, à margem do rio Sankarani, hoje fronteira do Mali com a Guiné.

 No século XV se passou a empreender a releitura de livros de autores do Velho Mundo mediterrâneo, tais como: Zurara, Cadamosto, e Diogo Gomes, que entre 1455 e 1456, subiram o rio Gâmbia, importante via de acesso ao interior da África ocidental, bem como os relatos de André Álvares D’Almada e Leão, o Africano, que descreviam suas viagens pelo Saara e suas incursões marítimas ao longo da costa do Atlântico.

Como exemplo, veja-se este relato do viajante italiano Cadamosto, sobre alguns costumes da África deste período:

“[...] Estes povos andam quase sempre sem qualquer espécie de roupa a cobri-los, exceto uma pele de cabra cortada em forma de calções que usam para esconder as partes secretas. Mas os senhores e as autoridades usam camisas de algodão; este país produz quantidade dessa matéria que as mulheres fiam [...]. As mulheres, tanto as casadas como as outras, andam nuas da cintura para cima, e da cintura para baixo cobrem-se com um pano feito de algodão, enrolado à volta do corpo, que lhes chega até o meio da perna, e andam todos descalços [...]. Neste reino de Senegal nem em nenhuma outra terra para além dele cresce trigo, centeio, aveia ou vinha, pois o país é quente em extremo [...]”.

Gomes Eanes de Zurara, um dos maiores cronistas-mor do rei de Portugal D. João II, foi o primeiro historiador a registrar a presença portuguesa nas costas ocidentais africanas no século XV e a tratar das várias formas de captura e escambo, além do tráfico de negros da Costa da Guiné.

Por sua vez, também foi retomado o relato referente ao último quartel do século XVI, o “Tratado Breve dos Rios da Guiné”, do português nascido na ilha de Santiago do Cabo Verde, André Álvares D’Almada, que comerciava no litoral da Guiné. 

Outra fonte utilizada foi a Desciption de l’Afrique, uma narrativa de Leão o Africano, resultado de suas viagens no inicio do século XVI pelo Oriente Médio e pelas regiões subsaarianas. Essa obra redigida e publicada em 1550, em Roma, é uma rica narrativa que, embora carregada de equívocos histórico-geográficos relativos ao interior das Áfricas ocidental, central e tropical, contém importantes testemunhos árabes sobre o império do Mali.

Entretanto, foi só em meados do século XX que, pouco a pouco, a historiografia e a antropologia sobre a África foram reconhecidas e tratadas de forma crescentemente crítica, abrindo possibilidades para que os preconceitos pudessem vir a ser questionados.

 A partir de 1947, a Societé Africaine de Culture e sua revista Présence Africaine dedicaram-se a elaborar uma história da “África descolonizada”, utilizando as técnicas européias de investigação histórica para resgatar o passado africano buscando elementos de identidade cultural solapados pelo colonialismo. Por sua vez, os próprios afro-americanos se empenharam, cada vez mais, em identificar as especificidades histórico-culturais na África, tendo W. E. B. Du Bois como um de seus expoentes.

Foi só a partir de 1960, sob a influência dos nacionalismos independentistas e no âmbito da busca pela identidade do continente e de cada um dos Estados-nação recém formados, que foi reconhecida a necessidade de se conceber um novo método de abordagem adequado para negar a homogeneidade das “tribos africanas”.

Pouco a pouco, com os avanços dos estudos sobre a África, houve nova valorização da cultura afro, ao se identificar as especificidades históricas de um continente que é um verdadeiro mosaico de heterogeneidades; uma totalidade caracterizada pela complexa diversidade cultural de seus povos.

* Co-editor do NCPAM e Discente do curso de Ciências Sociais. Contato: ncpamz@gmail.com

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 02h38 PM
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18/3/08

ECONOMIA DA CULTURA


Fonte: Casa Claudia - ano 24 / n° 464 - Artesaos do Brasil

 

* Gilberto Gil e Paula Porta

O IBGE lançou, em parceria com o Ministério da Cultura, a segunda pesquisa de indicadores da economia da cultura. Os números são expressivos: as 320 mil empresas do setor geram 1,6 milhão de empregos formais e representam 5,7% das empresas do país. A cultura é o setor que melhor remunera - sua média salarial é 47% superior à nacional.

O fomento à economia da cultura é um dos eixos prioritários de ação do MinC. Criado em 2006, o nosso Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura trabalha em três frentes: informação, capacitação e promoção de negócios.

O Brasil tem evidente vocação para tornar a economia da cultura um vetor de desenvolvimento qualificado, em razão de nossa diversidade e alta capacidade criativa. Temos importantes diferenciais competitivos, como a excelência dos produtos, a disponibilidade de profissionais de alto nível e a facilidade de absorção de tecnologias. Temos um mercado interno forte, no qual a produção nacional tem ampla primazia sobre a estrangeira - a música e o conteúdo de TV são exemplos robustos, em que o predomínio chega a 80%. O prestígio do país está em alta, temos a oportunidade de ampliar mercados.

A economia da cultura, que envolve produção, circulação e consumo de produtos e serviços culturais, já responde por 7% do PIB mundial. Os produtos culturais são os principais itens da pauta de exportações dos Estados Unidos e representam 8% do PIB da Inglaterra. O setor vem ganhando atenção.

Um de seus fortes ativos é a propriedade intelectual, mas segmentos dinâmicos, como festas e artesanato, não são baseados em patente ou direito autoral. O setor depende pouco de recursos esgotáveis e tem baixo impacto ambiental. Gera produtos com alto valor agregado e é altamente empregador. Seu desenvolvimento econômico vincula-se ao social pelo seu potencial inclusivo e pelo aprimoramento humano inerente à produção e à fruição de cultura.

A tecnologia digital criou novas formas de produzir, distribuir e consumir cultura e, com elas, surgem novos modelos de negócio e de competição por mercados, nos quais a capacidade criativa ganha peso em relação ao porte do capital.

O desenvolvimento da economia da cultura exige mecanismos diversificados de fomento, diferente da política de fomento via leis de incentivo fiscal. É preciso formular ações integradas e contínuas que enfrentem os gargalos, sobretudo quanto à distribuição de produtos e espetáculos e à democratização do acesso ao rádio e à TV. Implantar uma estratégia para esse setor é um desafio imediato se quisermos aproveitar oportunidades geradas pelas novas tecnologias.

Esse desafio envolve Estado, entidades setoriais e iniciativa privada e requer: (1) implantar agenda para os segmentos dinâmicos; (2) aprofundar o conhecimento sobre eles, para subsidiar o planejamento das políticas públicas e das empresas; (3) capacitar empresas e produtores, sobretudo em gestão de propriedade intelectual; (4) identificar oportunidades de mercado; (5) ampliar a presença no mercado externo; (6) dinamizar o tripé distribuição-circulação-divulgação e, (7) enfrentar a necessidade de regulação e atualização na legislação.

Em 2007, realizamos as primeiras ações diretas de promoção de negócios, como a Feira Música Brasil, a elaboração do programa do artesanato de tradição cultural e o apoio à exportação do audiovisual.

Firmamos parcerias para incluir o setor no escopo de ação dos órgãos de fomento e pesquisa. Com o BNDES, linhas especiais de crédito e inclusão de fornecedores da cultura no cartão BNDES. Com o BNB e o Basa, linhas de microcrédito com mudanças nas garantias. Com o IBGE, coleta de informações e construção de indicadores, que deve culminar no PIB da cultura. Com o Sebrae, formulamos seu programa para o setor. Com o Ipea, contratamos estudos. Banco do Brasil e Caixa estudam produtos específicos. Com o BID, parceria para pesquisas de cadeia produtiva.

Ainda é preciso evoluir muito nas ações de fomento e na capacidade de formulação e planejamento por parte dos realizadores e das organizações do setor, superando a lógica de projetos pontuais.

A diversa e sofisticada produção cultural brasileira, além de sua relevância simbólica e social, deve ser entendida como um dos grandes ativos econômicos do país, capaz de gerar desenvolvimento.

Realizar esse potencial significa produzir riqueza e inclusão social, além da inserção qualificada do país no cenário internacional.

 

* Gilberto Gil, 65, músico, é o ministro da Cultura. PAULA PORTA , historiadora, doutora pela USP, é assessora especial do ministro da Cultura e coordenadora do Prodec (Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura).   

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 08h16 PM
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16/3/08

MIRANTE DO COTIDIANO


                                                                                                 Foto: Ademir Ramos

 

É no banzeiro das águas, símbolo de fertilidade e da continuação da vida, que o canoeiro, este homem amazônico, enfrenta as intempéries, conduzindo com maestria a sua minúscula embarcação, circundada pelos elementos ímpares da maior floresta tropical do planeta: rios de água doce, matas, sons e mistérios. A canoa é verdadeiramente a sua propriedade móvel, com ela, afirmou Gonçalves Dias, “continua o seu viver instável, errante, imprevidente; acomoda-se dentro dela com a mulher e filhos, vão às praias e assim vivem muitos meses do ano, dando aos filhos a educação que tiveram, e não compreendendo que careçam de mais nada”.

O que o poeta indianista chamava de viver errante é, na realidade, a cultura desses homens e mulheres que demarcam seu cotidiano por ritmos diferenciados, sabendo ler os sinais do tempo impulsionado pela hora da partida ou da chegada, mediado pela sustentabilidade e pelo encontro de se estar presente nas festas populares, animados pela alegria de viver. Assim, lá vai o canoeiro pelo rio das Amazonas.

Enquanto representação expressa a presença de um homem, remando em alto rio, com a plasticidade que pode ser muito bem admirada na foto em tela, fazendo pensar sobre o destino, o horizonte e a própria existência. Contudo, o mais importante é que este homem move-se para algum lugar, vencendo as água e os obstáculos que encontra no seu ato de remar. (In: Amazonas Diversidade Cultural Iconográfica. Sebrae/AM. 2007).


- Postado por: Comissão Editorial às 12h36 PM
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15/3/08

MIRATINGA


Disponibilidade: www.xinguvivo.blogspot.com

 

Agora é Lei: história dos índios em Sala de Aula 

No Brasil, agora é obrigatório incluir no currículo escolar da rede de ensino público e privado a Temática "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena". A lei 11.465/08 foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União, datado de 11 de março passado.  A lei 11.465/08 altera um artigo da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e substitui a lei 10.639/03, que já previa a obrigatoriedade do ensino sobre história e cultura afro-brasileira. A partir de agora, confere o mesmo destaque ao ensino da história e cultura dos povos indígenas.  A lei em vigor, em seu parágrafo primeiro, refere-se, equivocadamente, à cultura afro e indígena como “dois grupos étnicos”. Esta afirmação técnico-jurídica é reducionista e muito prejudicial para a compreensão das políticas de diversidade cultural implementada na Educação e Cultura brasileira.  

A lei, recentemente publicada, carece de parecer regulamentar do Conselho Nacional de Educação tal como o Parecer 003/04 (CP), que fundamentou a lei 10.639/2003 sob a Relatoria de Petonilha Beatriz Gonçalves e Silva e dos conselheiros Carlos Roberto Jamil Cury, Francisca Novantino Pinto de Ângelo (representação indígena) e Marília Ancona-Lopez. A importância do Parecer faz-se necessário para sustentar e orientar os educadores na aplicabilidade da lei quanto aos conteúdos e saberes a serem trabalhados de forma transversal no sistema escolar público e privado. 

 

Seminário Regional 

Embora a lei determine a obrigatoriedade dos temas afro e indígena em sala de aula, requer que os movimentos negros e indígenas pressionem os governos estaduais e municipais a efetivarem nos sistemas curriculares o cumprimento da lei. Para esse fim, o Ministério da Educação está promovendo entre abril e junho próximo, seminários regionais, articulados com os fóruns Étno-Raciais. As atividades dessa rodada de discussão será concluída com a realização de um seminário nacional.    

No norte do Brasil está previsto para Belém (PA), nos dias 9 e 10 de abril próximo a realização do I Seminário, quando deverá se discutir e definir os novos parâmetros em relação às práticas educacionais temáticas. O NCPAM, por sua vez, junto com a SEDUC - Secretaria de Estado da Educação do Amazonas, participam do Seminário Regional e, no mês de Maio e Junho estarão promovendo o curso de Formação Continuada em atenção aos professores da rede pública do Estado sob a "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena", com apoio do Programa de Extensão Universitário e Cultural/2007 – Forproex e o MinC, sendo patrocinado pela PETROBRAS com apoio da Universidade Federal do Amazonas e a SEDUC.  

 

Culturas Afros e Indígenas são obrigatórias nas Escolas

Brasília – DF, terça-feira, 11 de março de 2008.

Lei - 11.465, DE 10 DE MARÇO DE 2008

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro

de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de

9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes

e bases da educação nacional, para

incluir no currículo oficial da rede de ensino

a obrigatoriedade da temática "História

e Cultura Afro-Brasileira e Indígena".

 

O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono

a seguinte Lei:

Art. 1º.  O art. 26-A da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de

1996, passa a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e

de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo

da história e cultura afro-brasileira e indígena.

§ 1º. O conteúdo programático a que se refere este artigo

incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam

a formação da população brasileira, a partir desses dois

grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos

africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a

cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação

da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas

social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

§ 2º. Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira

e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no

âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de

educação artística e de literatura e história brasileiras." (NR)

Art. 2º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 10 de março de 2008; 187° da Independência e 120º

da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Fernando Haddad 

 



 

 


- Postado por: Comissão Editorial às 01h26 PM
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13/3/08

POLÍTICA CONTRA O MEIO AMBIENTE

 

SEMA SUSPENDE AS ATIVIDADES DE COLETA SELETIVA DA IADS

 

 

 

Nas últimas décadas o meio ambiente, em especial sua preservação e conservação, tem sido tema de muitos debates acalorados em reuniões de cúpula em diversos países do mundo. Ao tratarmos do meio ambiente, logo somos arremetidos quase que automaticamente à Amazônia e suas (in)finitas riquezas minerais, vegetais e animais, porém não podemos isolar a Amazônia nesta temática e esquecer que meio ambiente é tudo que possui muitas vidas.

 

A vida é o essencial para a reprodução dos seres vivos e sua manutenção é primordial para o bom andamento das sociedades, mas para que possamos viver em perfeita harmonia com o meio ambiente, a sociedade precisa adotar mecanismos que gerem subsídios necessários para um equilíbrio entre as mesmas.

 

Em Manaus existem alguns desses mecanismos que buscam uma interação harmoniosa entre meio ambiente e sociedade, são os grupos de catadores de resíduos sólidos que através do seu trabalho contribuem de forma significativa para a diminuição do impacto ambiental causado no meio ambiente da cidade. O trabalho realizado por eles é muito importante para sociedade, já que são conhecidos por muitos como agentes do meio ambiente.

 

O trabalho com resíduos sólidos ainda é bastante deficiente, muitos cidadãos desconhecem a seletividade entre eles, considerando que lixo é lixo, e não precisam de nenhuma atenção especial. Dessa maneira, aumenta-se a poluição ao meio ambiente, agravam-se problemas de saúde, entre outros que decorrem da poluição urbana.

 

Entre os grupos de agentes do meio ambiente organizados que encontramos na cidade de Manaus, o Instituto Ambiental Dorothy Stang – IADS -, criado pela comunidade de Santa Etelvina, tem como instrumento de cidadania a promoção de trabalho e renda de forma sustentável, recorrendo à prática de reaproveitamento dos resíduos sólidos, agregando valor econômico e ambiental numa perspectiva de melhorar a qualidade de vida dos comunitários, assegurando a todos, novas oportunidades de trabalho numa estrutura organizacional participativa.

 

O lixo descartado de forma indevida trás muitos prejuízos à população e ao governo, isso sem contar o sério risco de contaminações de vários tipos de doenças causadas pelo contato com ele, e tudo isso, simplesmente por falta de consciência ambiental da população e de políticas públicas.

 

Por isso, é honrosa a atuação do IADS no município de Manaus. Porém, um fato até agora sem explicação cabível ocorreu no dia 06/03 passado com o IADS, foi afixado um documento da SEMA (Secretaria de Meio Ambiente) suspendendo os trabalhos de coleta seletiva no seu galpão, alegando ser necessário a Obtenção de Licença Ambiental para a regularização e abertura do mesmo.

 

O que não dar para aceitar é que por conta desta proibição da SEMA, muitos pais e mães de família estão há muitos dias impedidos de sustentar seus filhos, e diante deste quadro quem irá levar o sustento a seus lares?

 

Necessário se faz buscar maiores esclarecimentos sobre os instrumentos de Licença junto a SEMA, sobre seus critérios e mecanismos de atuação. Resta uma pergunta, por que paralisar um trabalho que só tem beneficiado a sociedade amazonense como um todo, levando qualidade de vida à uns e dignidade através do trabalho para outros?


- Postado por: Comissão Editorial às 06h20 PM
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11/3/08

A PRESENÇA AFRICANA - UMA INFLUÊNCIA DECISIVA


Disponibilidade:www.elitebrasil.com.br/brasil/cultura_samba.jpg

* Aquiles Pinheiro

Durante muito tempo a economia brasileira dependeu do braço escravo africano. Existem estatísticas que indicam que ser negro ou mestiço é mais da metade da população brasileira de hoje. Mesmo cálculos mais conservadores, fazem do Brasil o maior país mestiço do mundo.

Infelizmente não existem dados seguros sobre a quantidade de africanos trazidos ao Brasil durante o período da escravidão. As estimativas situam o efetivo desembarcado entre 1531 e 1855, quando o tráfico se interrompeu, em cerca de quatro milhões de pessoas.

Também não há como calcular o impacto desses contingentes na população branca aqui estabelecida. Não temos com exatidão o número de habitantes do Brasil no período colonial. Estima-se, por exemplo, que no início do século XIX deveria estar por volta de 2,5 milhões, dos quais 2/3 seriam pessoas negras ou mestiças, excetuando-se os indígenas. Havia áreas onde a população escrava superava a de homens livres, como na Bahia, em Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Maranhão.

Apesar da subjetividade para definir “negro” e “pardo” numa população como a brasileira, o IBGE calcula que hoje há mais de 40% sejam de cor, o que nos faz o maior país mestiço do globo.

Vindos de reinos situados na região costeira e interior do grande Golfo da Guiné, de Angola e Moçambique, os africanos possuíam padrões culturais e organização social e política variados.

Nesse sentido, leia-se este trecho do historiador Senegalês Djibril Tamsir Niane: “[...] várias formas de Estado existiram na África. O clã ou linhagem é a forma rudimentar do Estado; seus membros reconhecem um ancestral comum e vivem sob a autoridade de um chefe eleito ou de um patriarca, cuja função essencial é zelar por uma divisão eqüitativa dos ganhos do grupo [...]. O reino congrega vários clãs, sendo o rei, freqüentemente, um chefe de clã que impôs a sua autoridade a outros clãs [...]. Os soberanos que chamamos "imperadores" controlam, em princípio, senão um vasto território, ao menos reis, que gozam de grande autonomia. [...] Seja rei ou imperador, o soberano está sempre rodeado de um conselho; este, em geral, exerce influência moderadora sobre o poder real [...]”.

Em termos globais sabemos que a influência negra é enorme na cultura brasileira. Muitos negros vinham de regiões islamizadas e por essa razão eram alfabetizados em árabe, enquanto seus senhores, aqui no Brasil, muitas vezes mal sabiam assinar o nome. Como eram as escravas que cuidavam das crianças brancas, boa parte do universo simbólico de vários grupos negros, transmitiam através de histórias contadas, pelos ritos ensinados, pelas canções de ninar e, sem dúvida, também pela forma de falar, com entonações diferentes das da língua falada na metrópole e o uso quase abusivo de diminutivos (inhôzinho, painho, mãinha etc). É necessário não esquecer que era um linguajar de cativos que estava sendo transmitido.

 A influência nas crenças religiosas vindas da Europa também é enorme, englobando elementos das culturas negras, também transformadas no processo. O Candomblé, a Macumba, o Tambor de Crioula, fazem parte dos ritos religiosos afro-brasileiros. As festas populares são, em grande parte, rituais modificados no novo ambiente, como o carnaval, a dança do bumba-meu-boi maranhense, o maracatu, a dança da poeira e inúmeras outras.

A enorme riqueza de ritmos da música brasileira está profundamente ligada à grande presença negra no país. A organização dos remanescentes de quilombos marca profundamente a luta pela terra na Amazônia Oriental hoje.

 

* Co-editor do NCPAM e Discente do curso de Ciências Sociais. Contato: ncpamz@gmail.com

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 06h56 PM
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9/3/08

MIRANTE DO COTIDIANO


                                                     Disponibilidade: www.grupoimagem.org.br

 

* Marilene Fernandes de Oliveira

Ontem o mundo inteiro comemorou o Dia Internacional da Mulher, entre as comemorações percebemos o ensejo do comércio com suas ofertas e  promoções em torno desta data que é mui especial, e justificada pelo fato de que são as mulheres as responsáveis por toda humanidade, são mães daqueles que contribuem para o progresso mundial, que criam e recriam modelos de produção  e trabalho, são mães de pessoas de todas as profissões no mundo inteiro, das mais simples ou de maior expressão, e também são mães daqueles que por algum motivo não escolheram o caminho do bem, mas não deixam de ser mãe e nunca perdem a essência do amor.

Comemorar o Dia Internacional da Mulher é muito importante e, sobretudo refletir os progressos e percalços nessa caminhada. Ao olharmos para o passado temos a impressão que a sociedade não evoluiu como deveria em Manaus. Na década de 70, tínhamos em média pelo menos 30 grupos ativistas femininos, que davam suporte em vários aspectos as mulheres, mães, empregadas, empresárias, mães solteiras, enfim, o cuidado e apoio eram em função das mulheres.

Quando falamos em mulher, logo nos vem o tema da emancipação, tão falado e visto,  indubitavelmente a mulher teve historicamente na sociedade contemporânea um espaço jamais conquistado, mas, essa mesma mulher que ora se emancipa é mãe, esposa, doméstica, professora  e ao passo que sai, tem por obrigação voltar, e nessa volta vários são os percalços a vencer.

Ainda vivemos em uma sociedade machista, patriarcal, em que a mulher pode até desenvolver as mesmas funções que o homem, mas, sempre sua remuneração é inferior. Uma sociedade que diante da progressão profissional da mulher diz que, ali ela chegou por conta do destino que a poucas é conferido, ou mesmo por sorte ou indicação, não dando a mulher o devido reconhecimento de que se chegou a patamares mais altos, foi por que trilhou os caminhos, galgou com esforço, trabalho, pesquisa, e produção o merecido cargo conferido.

Não podemos simplesmente aceitar que nos seja imposto, tal discurso, nem tão pouco internalizá-lo com verdade absoluta. Como sociedade, temos que lutar diariamente, em função da quebra de tais paradigmas, desses padrões estabelecidos historicamente. Vermos a mulher não como um ser frágil, digno de pena, porém, alguém que pode interferir, gerir, produzir  e gestar  uma sociedade melhor, como uma pessoa que detém um dádiva divina , que é a condição de conciliar varias atividades e dar o melhor de si em cada uma delas munidas de destreza, beleza, ética e responsabilidade.  

 

MULHERES 

Elas sorriem quando querem gritar

Elas cantam quando querem chorar

Choram quando estão felizes

E riem quando estão nervosas. 

Elas brigam por aquilo que acreditam

Elas levantam-se para a injustiça

Elas não levam “não” como resposta  quando

Acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para

Suas crianças poder tê-los.

Elas vão ao médico com uma amiga assustada.

Amam incondicionalmente. 

Elas choram quando suas crianças adoecem

E se alegram quando suas crianças ganham prêmios

Elas ficam felizes quando ouvem sobre

Um aniversário, ou um novo casamento.

 

Pablo Neruda.

 

* Membra do NCPAM e discente do 5° período de pedagogia.


- Postado por: Comissão Editorial às 11h06 AM
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