10/3/07
A BATALHA DIÁRIA DE SER MULHER

Quadro: Ler e ouvir outra coisa - Picasso
* Naiara Arruda
As mulheres nasciam predestinadas a serem boas mães, boas donas de casa e, atualmente, boas profissionais. Alguns dizem que talvez seja daí a famosa “competição entre as mulheres”. Elas são tão pressionadas para ser a melhor que acabam por se tornar naturalmente competitivas. Pressão da família quanto às tarefas domésticas, pressão da sociedade por ter de seguir os padrões estéticos de beleza e pressão do mercado de trabalho por ter de carregar sempre o estigma de se igualar aos homens e mostrar que é capaz.
E ainda mais se for bonita a pressão aumenta muitas vezes, pois as pessoas , e digo tanto homens como até mesmo mulheres, carregam o preconceito de que mulher bonita é burra ou pior que todas as mulheres devem seguir os padrões estéticos globais de beleza. Aí entremos em outro assunto. As mulheres como um produto a ser consumido, ou melhor suas imagens.
É bem triste quando vejo anúncios nos outdoors de produtos como curso de inglês ou creme dental que usam como a sua marca principal o corpo de uma mulher semi-nua. Por quê? Pra quê? E então os publicitários vêm com seu discurso que os anúncios que afetam o inconsciente sexual são os que realmente chamam atenção. A atenção de quem? Dos homens? Porque das mulheres chama, eu diria, atenção de um modo negativo.
O fato é que me parece que sempre é oportuno priorizar o lado estético feminino frente ao intelectual. Nota-se isso principalmente nos comentários masculinos às mulheres. É comum ver homens ressaltando toda a beleza feminina principalmente em comentários chulos e pejorativos, deixando em último caso a formação intelectual e opiniões da moça.
Sendo quando estas moças expõem suas opiniões e se mostram pessoas esclarecidas assustam os pobres seres masculinos de ego elevado. Claro que não posso generalizar, pois alguns homens nos quais já conversei sobre o assunto dizem que preferem “mulheres inteligentes”. Até que ponto? Até o seu ego elevado suportar? Deve haver pessoas assim. Vamos acreditar nisso pelo menos.
E as mães solteiras? E as mães solteiras e adolescentes, que carregam o fruto de uma relação irresponsável? Essas merecem um considerável elogio, porque ultimamente planejar a vinda de um filho não é tarefa fácil, imagine ganhar um herdeirinho de surpresa sabendo de toda a violência e os problemas de educação, saúde e segurança. O que se pode esperar do futuro de uma criança? Essa seja, talvez, a angústia de todas as mães brasileiras e de outras parte do mundo.
O caso é que as mulheres têm se mostrado grandes lutadoras, e vencendo as lutas diárias. O efeito disso é refletido na consolidação do seu espaço seja nas universidades como estudantes, professoras e pesquisadoras, sejam nas demais áreas de atuação. Exercendo cargos importantes ou não, e vivendo a maratona dupla, tripla e quantas mais for preciso mostrando a sua igualdade intelectual ocultada por séculos.
* Estudante de Comunicação Social - Relações Públicas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e estudante de Turismo da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Contato: ncpamz@gmail.com
- Postado por: Comissão Editorial às 11h49 AM
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7/3/07
SER MULHER NO SÉCULO XXI

Imagem: www.inet.sitepac.pt
* Paula Paiva
“Nós podemos ir a qualquer lugar, menos para casa”, (Abena Busia, poetisa africana).
A história nos mostra a grande dificuldade que as mulheres tiveram para legitimar seus espaços em todo o mundo. A idéia de que o lar e a família são domínios essencialmente femininos perdura-se por milênios perpetuando a desigualdade e obstruindo o processo de mudanças de atitudes.
As experiências cotidianas de discriminação e opressão que as mulheres brasileiras compartilham, conferem-lhes uma identidade de gênero comum a sua condição feminina, experiências presentes tanto nos espaços públicos do mercado de trabalho e da política, quanto na vida privada, onde se desvendam as faces mais violentas do machismo na cultura nacional. Ser mulher, aproximadamente até o final dos anos 1960, significava identificar-se com a maternidade e a esfera privada do lar, sonhar com um “bom partido” para um casamento indissolúvel e afeiçoar-se a atividades leves e delicadas.
Hoje, não há o que negar: a situação das mulheres avançou muito nas últimas décadas como resultado, em grande parte, de um movimento social que soube articular grupos e organizações locais, nacionais e globais, gerando uma revolução cultural e política que transformou o cotidiano da vida em sociedade.
No entanto, apesar de todos os avanços e conquistas o trabalho doméstico continua sendo exercido predominantemente por mulheres. Com isso, não tenho a pretensão de dizer que os homens devam realizar efetivamente o trabalho doméstico. Pelo contrário, o ideal seria que houvesse uma divisão de tarefas. Apesar de ser um absurdo ainda ter que se preocupar com este assunto em pleno século XXI, o fato é que, as mulheres ainda são tratadas como “escravas do lar” onde são submetidas a agressões e humilhações quando não obedecem às ordens do seu patrão.
Não poderia deixar de tocar neste assunto que ainda encontra-se presente no cotidiano das mulheres em todo o Brasil. Portanto, prestar uma homenagem às mulheres não se resume tão-somente em destacar seu papel de mãe ou de companheira, mas, sobretudo exige o reconhecimento da discriminação que as mulheres sofrem todos os dias e principalmente uma reflexão tanto dos homens quanto das próprias mulheres, já que as mesmas acabam silenciando em tais situações.
Apesar de persistirem as desigualdades entre homens e mulheres, é possível afirmar que foram conquistadas as possibilidades para a construção de novas relações de gêneros. Principalmente no que se refere ao crescimento profissional das mulheres.
No entanto, a liberdade ainda é um direito a ser conquistado, neste sentido, é associada ao direito de poder trabalhar, de poder decidir, de escolher, de poder fazer o que quiser, de poder sair de casa, de sair/casar ou namorar quem quiser, ter o direito de ir e vir para onde queira enfim, ser independente.
E, ainda que a questão da liberdade pareça ser tão simples, ela é vista como uma barreira para a maioria das mulheres brasileiras. Portanto, para este dia, ou melhor, para todos os dias, só podemos desejar a todas que possam atingir a plena LIBERDADE, ser livre significa ter direito à vida.
Feliz dia Internacional da Mulher!
* Pesquisadora do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM); e finalista do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Contato: ncpamz@gmail.com
- Postado por: Comissão Editorial às 11h08 PM
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O TRABALHO DA MULHER NO PIM

Foto: www.senado.gov.br
* Leidy Lima
Quando falamos dessa realidade referente ao dia a dia da mulher operária do Pólo Industrial de Manaus (PIM), nos faz lembrar o ano de 1857, onde operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando o estabelecimento para reivindicar a redução da jornada de trabalho de mais de 16 horas diárias para 10 horas.
Essas mulheres trabalhadoras, que nas suas 16 horas recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram trancafiadas na fábrica, onde sofreram um grande incêndio, morrendo todas queimadas, é o que se sabe da verdadeira história (Veja o artigo da Elaine Maria Alves - A luta das mulheres na história, logo abaixo). Em 1910, numa conferência internacional de mulheres socialistas realizada na Dinamarca foi decidido homenagear àquelas mulheres, comemorando o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher, apesar de algumas controvérsias, somente a partir desta data é que houve maior movimento a favor da emancipação da mulher, ganhando força em todo mundo.
Com a expansão da Industrialização, as mulheres passaram a ter um papel diferente com sua mão-de-obra, mesmo sendo remuneradas bem menos que os homens e tendo que trabalhar praticamente até os dias antes do parto.
Após 150 anos do acontecido, vivemos todo um reflexo de um passado cheio de opressões, indiferenças, injustiças, mas acima de tudo, de lutas e conquistas.
Atualmente, mesmo, com algumas dificuldades, as operárias podem ser consideradas vitoriosas, temos que levantar às 4 horas da manhã, para começar a rotina de trabalho às 06 horas, somos mães e ao mesmo tempo pais, a questão da fragilidade ainda existe, porém, de forma diferenciada.
Nós operárias vivenciamos uma rotina diária de 8 horas de trabalho, estudamos, cuidamos da educação dos filhos e, muitas vezes, ainda têm que enfrentar um esposo que pouco compreende o seu dia-a-dia. No entanto, comparado ao passado, é motivo de glória, pois já sabemos caminhar sozinha, operar uma máquina, ter poder de decisão e a até mesmo trocar uma botija de gás, que antes esperávamos tão somente pelo homem.
Podemos perceber uma evolução, isso mesmo, é o que queremos hoje, porque as mulheres buscam cada vez mais conhecimento, pois é cada vez maior o desejo de independência, seja ela qual for, estão ocupando espaço e o mercado de trabalho, até mesmo cargos de confiança, o que também nos é de direito, quebrando uma vez por toda com os muitos tabus, conquistando, dessa feita, uma certa igualdade competitiva com homens. Esta tem sido a nossa luta.
* É operária do PIM e estudante do 8° período do curso de Administração da Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Contato: ncpamz@gmail.com
- Postado por: Comissão Editorial às 11h06 PM
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AMAZONAS, MULHERES GUERREIRAS!
* Ademir Ramos
Em 08 de março celebra-se por todo mundo, o dia internacional da mulher, quando recorremos à narrativa das Amazonas para exaltar a luta das mulheres guerreiras do nosso Estado, valendo-se das anotações de Frei Gaspar de Carvajal, o escrivão da expedição de Francisco Orelhana, no século XVI, para informar sobre a bravura e dignidade dessas guerreiras, que segundo o religioso, tinham “[...] longos cabelos trançados e enrolados na cabeça, são musculosas e andam nuas em pelo, cobrindo sua vergonha com os arcos e as flechas nas mãos lutando como dez índios”.
Ainda hoje, essas mulheres enfrentam diversas lutas, como vimos no dia 01 de março, quando o Fórum Permanente das Mulheres de Manaus se manifestou em frente ao Palácio do Governo do Estado, exigindo o cumprimento da Lei 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha.
A reivindicação das guerreiras, segundo a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Socorro Papoula, tem por fim consolidar a implementação de uma rede de proteção em defesa da mulher. Pois, quando uma mulher é agredida e vai registrar a queixa, muitos policiais dizem que “não vão intervir porque não se metem em briga de marido e mulher”, afirmou a presidente do CMDM.
Em Manaus, do início do ano até agora 07 mulheres foram assassinadas. As ocorrências da Delegacia Especializada dão conta que somente em janeiro deste ano foram registradas 375 queixas de ameaça, 196 de lesão corporal, outras 114 agressões e mais 03 estupros.
A reivindicação do Fórum contempla também a criação do Juizado Especial Contra a Violência Doméstica e Familiar, esperando com isso que as decisões judiciais sejam mais céleres, garantindo dessa feita, o Direito a integridade física e moral da mulher amazonense.
A manifestação do Fórum Permanente das Mulheres ganhou visibilidade com a matéria de página inteira do jornalista Jorge Eduardo Dantas, publicada em A Crítica (02/3), onde se lê a manifestação de Agamedilza Sales, líder do movimento feminista Maria sem Vergonha, explicando a importância do ato de protesto, “para mostrar as entidades governamentais que há uma Lei que não está sendo cumprida. A Lei Maria da Penha tem tido uma aplicação mínima em nosso Estado, e esta responsabilidade é de todas as organizações civis e governamentais, mas principalmente dos estados (governadores) e municípios (prefeitos)”.
A luta pelo Direito que as mulheres do Amazonas vem enfrentando é muito mais ampla. Pois, vários estudos tem sido feito para melhor compreender a especificidade da matéria, sobretudo, tratando-se da questão das mulheres operárias do Pólo Industrial de Manaus.
Nessa circunstância é importante que os sindicatos e as centrais sindicais, em suas Convenções Coletivas assegurem em suas cláusulas a valorização do trabalho da mulher pela especificidade que apresenta. Não se trata de “frescura” como alguns patrões costumam afirmar, mas sim, garantir as mulheres oportunidades e benefícios iguais sem discriminação de gênero.
Com efeito, a luta histórica das mulheres trabalhadoras tem sido pela melhoria das condições de trabalho, sua profissionalização, pela oportunidade de trabalho as mulheres casadas, garantia de emprego às mulheres grávidas e que não sejam obrigadas a provar que não estão grávidas quando entram no trabalho, assistência diferenciada à saúde, pela instalação de creches gratuitas próximas aos locais de trabalho, pela livre organização e outras reivindicações pertinentes.
Em se tratando da afirmação do Direito da Mulher, nos deparamos também com a questão étnica e racial como determinante cultural na formulação das políticas públicas e particulares. Nesses termos é importante relevar a luta dos negros e índios, ambos escravizados em território brasileiro para sustentar e estruturar a economia nacional.
A contextualização sócio-histórica da escravidão exige do Estado brasileiro políticas públicas responsáveis, que promovam a inclusão e garantia dos Direitos dos negros e índios tanto em relação à demarcação e salvaguarda de seus territórios como também, implementando programas específicos de sustentabilidade às comunidades quilombolas e indígenas.
Assim sendo, a luta das Amazonas espraia-se pela cabanagem, mobilizando negros e índios para defender direitos, que até hoje rogam por garantias, fazendo crer que a insensibilidade dos governantes só desperta quando homens e mulheres tomam consciência de sua cidadania, impulsionando a luta pela Justiça contra as desigualdades sociais.
* É antropólogo e professor da UFAM e supervisor do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM). Email: ncpamz@gmail.com
- Postado por: Comissão Editorial às 08h00 PM
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6/3/07
A LUTA DAS MULHERES NA HISTÓRIA

Imagem: kostadealhabaite.blogspot.com
* Elaine Maria Alves
"No dia 8 de março, as operárias têxteis de um fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fabrica pra reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas de trabalho por dia, para 10 horas. Estas operárias, que nas suas 16 horas recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde houve um incêndio, no qual cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres que morreram queimadas, comemorar o 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres”.
Essa é uma das versões mais conhecidas sobre os fatos que motivaram a institucionalização do dia internacional da mulher. No entanto, para alguns pesquisadores como a Naumi Vasconcelos, professora da UFRJ, essa greve de Nova Iorque, em 1857, onde morreram operárias queimadas nunca existiu. A origem do 8 de março é outra.
Vasconcelos baseia-se no livro 'O dia Internacional da Mulher': verdadeiros fatos e datas misteriosas, que originam o 8 de março, sendo até hoje confusa, maquiadas e esquecidas’, de autoria de Reneè Cote.
Nesse livro a autora afirma que em 10 anos de pesquisa nunca encontrou em nenhum arquivo de 1857 qualquer rastro de uma greve com morte de operárias em incêndio. O que aconteceu foram duas greves em Nova Iorque, mas em anos posteriores a 1857. A primeira foi de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910. A segunda greve foi de 29 de março de 1911, e aí sim, depois de um incêndio causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, 146 pessoas, na maioria mulheres imigrantes italianas e judias morreram carbonizadas.
Para a autora, por motivos históricos e ideológicos, aconteceu uma confusão, e como os jornais socialistas - numerosos nos EUA na época - publicaram o ocorrido incêndio, apontando como responsáveis à classe patronal. Assim, a história foi se espalhando na base de quem conta um conto aumenta um ponto.
O fato é que desde o final do século XIX, as mulheres travaram uma batalha mais forte por direitos iguais, direito de votar e por melhores condições de trabalho.
Por tudo isso, em 1910 as mulheres do movimento socialista criaram a idéia de se comemorar um dia da mulher. Clara Zetkin, líder do movimento das mulheres socialista na Europa, se propõe a realizar anualmente o dia internacional da mulher, deixando a critério de cada país a escolha da data.
Vários países como EUA, França, Suécia realizaram comemorações do dia da mulher em datas diferentes, até que em 1914 as mulheres socialistas marcaram a data do dia internacional da mulher para 8 de março.
Essa data representa a coragem e a força das mulheres em lutar por igualdade e libertação, contra a opressão e exploração das mulheres pelos homens e do próprio homem pelo homem.
Foram sucessivos movimentos liderados por mulheres socialistas, comunistas, feministas e não apenas de um único evento os responsáveis para que fosse criado um dia que representasse a luta e o direito da mulher.
No Brasil, somente em 1932, no governo de Getúlio Vargas através do decreto nº 21.076, que se dá uma das grandes conquistas das mulheres no Brasil: a instituição do direto de votar e ser votadas para cargos no Executivo e Legislativo.
Outro importante evento foi a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Descriminação contra a Mulher (1984), que no seu artigo 7º enuncia o "dever do Estado de adotar todas as medidas apropriadas para eliminação da discriminação contra a mulher na vida política e pública do país, de forma a garantir, em igualdade de condições com os homens, o direito de votar e de ser votada em eleições, de participar na formulação e na execução de políticas governamentais e de participar de organizações e associações não-governamentais que se ocupem da vida pública e política do país".
A partir da Constituição Cidadã de 1988 prescrevem-se diversos artigos que ampliam e consolidam os direitos da mulher, entre os quais se destaca a lei 9.504, de 30/09/97 que estipula o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidatura de cada sexo nos partidos políticos.
As mulheres no Brasil estão se qualificando cada vez mais, seu ingresso nas universidades abre novas oportunidades de emprego e renda e elas também representam no país um forte eleitorado, que de acordo com estatísticas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 2000 as mulheres integravam 50,48% do eleitorado nacional. Isso corresponde a 55.437.428 de eleitoras no universo global de 109.826.263 votantes.
Sabemos, é claro, que a realidade das mulheres ainda nos dias de hoje é muito dura, as discriminações e os abusos ainda não acabaram. Mas grandes conquistas foram realizadas e o 8 de março é uma data, não apenas para comemorações e lembranças, mas também para debates, organização e unificação de esforços para combater a discriminação e toda forma de violência contra nós mulheres.
* Pesquisadora do Núcleo de Cultura Política do Amazonas -NCPAM; Estudande de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas. Contato: ncpamz@gmail.com
- Postado por: Comissão Editorial às 12h06 AM
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4/3/07
MIRANTE DO COTIDIANO

Foto: Ruth Jucá
A linguagem fotográfica da repórter Ruth Jucá, do Amazonas em Tempo, denuncia a monstruosa desigualdade implantada no Brasil, em particular no Amazonas, onde a concentração da riqueza tem favorecido uma minoria dominante que se apropriou do Estado para beneficiar grupos econômicos montados no Pólo Industrial de Manaus (PIM), sob o referendo da política dos Incentivos Fiscais regulamentado pela Zona Franca, Decreto nº 61.244, de 28 de agosto de 1967, completando 40 anos de sua implementação. Os ribeirinhos urbanos de Manaus e dos demais municípios do Estado, mais uma vez, estão ameaçados de perder todos os seus pertences pela força das águas dos rios, que crescem em volume a cada dia.
A enchente deste ano, segundo o relatório do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) promete desabrigar muita gente, revelando a miséria que os governantes botam para baixo do tapete. Os índices econômicos de 2006 da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) comprovam o que estamos dizendo, quando se constata que as despesas do PIM com salários estão quantificadas, em apenas, R$ 110,8 milhões. Em outras palavras, apenas 0,22% dos R$ 49,6 bilhões do montante faturado em Manaus é distribuído aos trabalhadores, o restante é concentrado nas mãos das corporações do grande capital. Para o senador Jefferson Peres (PDT/AM) a culpa não é do modelo, mas dos governantes que em vez de implementar políticas públicas justas e igualitárias sustentam unicamente seus interesses e suas corporações. Com a palavra os trabalhadores....
(Logo abaixo, comentem sobre a foto e o descaso das autoridades públicas)
- Postado por: Comissão Editorial às 01h17 AM
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