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30/6/07

A GREVE DO INCRA CONTINUA

 

Os servidores do Instituto Nacional de Colonização e reforma agrária (INCRA) resolveram apelar para esse último recurso desde a ultima quinzena de maio.

A instituição enfrenta um esvaziamento que remonta desde os tempos do governo Fernando Henrique Cardoso, no que se reflete às condições de trabalho e recursos financeiros, desvalorização dos servidores, baixos salários e falta até de material de escritório e recursos para os trabalhos de campo, como viaturas, botas, computadores, primeiros socorros, etc.

O governo não tem uma política salarial para o servidor público, coisa que os grevistas reivindicam, assim como aumento salarial, que não acontece há mais de dez anos.

O Incra enfrenta também o depauperamento dos recursos humanos, altamente qualificados; são servidores recém efetivados que saem da instituição devido à precariedade das condições de trabalho e ingressam em outros órgãos públicos.

O governo enxerga os grevistas do Incra como radicais que não percebem o quanto o governo faz pela instituição e afirma que só negociam se os funcionários voltarem a trabalhar, coisa típica de quem não está em sintonia com as causas sociais.

A verdade é -, se os servidores decidem pela greve, esgota-se então todas as negociações e demandas possíveis pela melhora nas condições de trabalho, admite o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Ferreira, que afirma entre outras palavras “reconhecer que a greve é legítima, mas o clima para negociação ficaria comprometido dessa forma”.

Voltar a trabalhar seria um retrocesso na dinâmica da luta. O governo também não cumpre com os acordos, protelando o implemento das reformas reivindicadas.

Por isso, os servidores querem chamar atenção do governo de continuar a greve e reclamam da lentidão e desatenção para negociar os fins dos impasses, por causa desta circunstancia o diretor Pedro Armengol da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) ressalta que “greve só vai acabar quando o governo decidir negociar com seriedade com a categoria, o que ainda não aconteceu”.

Inconformados por não conseguirem um acordo plausível e desejado no dia 19/06 passado, toda base da Condsef puxará uma plenária no dia 07 de julho, na qual a entidade aposta no fortalecimento da pressão junto ao governo e admite ser inadmissível suportar os arrochos salariais e o desmantelamento dos órgãos públicos.


- Postado por: Comissão Editorial às 01h16 PM
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28/6/07

CULTURA E CONSUMO

* Priscila Riscado

O consumo, no âmbito da teoria e da prática, é atualmente objeto de importantes reflexões. Essa relevância pode ser comprovada com o encontro Pensando o consumo hoje: novas abordagens, realizado nos dias 21 e 23 de maio de 2007, no auditório do BNDES, na cidade do Rio de Janeiro. O conferencista convidado foi o Sociólogo Alan Warde, professor da Universidade de Manchester e Co-Diretor do Centro de Pesquisa, Inovação e Competitividade.

Questões relativas ao consumo foi o tema dos cuculos de estudos, que contou com três palestras temáticas. A primeira, intitulada Consumo e o Poder da Cultura, apresentou o caráter mais teórico da abordagem da questão, um lado mais conceitual do tema. Warde pensou a matéria do consumo a partir de Pierre Bourdieu (sociólogo Francês 1930 – 2002) e de sua obra La Distinction(1979): ele tentou, referenciado em Bourdieu, entender como o gosto se desenvolve e como afeta o comportamento, a vida humana.

Warde apresenta então sua pesquisa Capital Cultural e Exclusão Social reportando-se a Inglaterra, enquanto a pesquisa de Bourdieu foi realizada na França, na década de 60. Assim, por meio de surveys (diagnóstico por análise de dados) , o pesquisador busca conhecer e identificar as diferenças entre a participação cultural - ir ao cinema, galerias de arte etc - na sociedade inglesa hoje.

O conferencista conclui que atualmente, diferentemente do resultado apresentado no trabalho de Bourdieu, as diferenças de habitus, explicitados no gosto dos indivíduos, não é tão clara assim. Em muitos aspectos, os gostos se assemelham bastante entre as mais diferentes classes sociais.

O tema do segundo dia de palestra foi Consumo e uma teoria da Prática. Warde debate o desenvolvimento da sociologia e do consumo, tentando elaborar uma teoria da “prática” e sua aplicação teórica. A teoria e a aplicação da mesma são desenvolvidas pelo próprio Warde, e ele exemplifica apresentando os resultados da pesquisa realizada por ele e sua equipe sobre o hábito de comer fora de casa na Inglaterra. O autor traça um breve histórico sobre o conceito de consumo e como algumas escolas definem essas representações.

Para Warde é possível se definir o consumo, já que este seria um hábito, segundo Bourdieu. Por sua vez, o consumo estaria relacionado com a obtenção de prazer e a socialização entre as pessoas. Esses fatores se modificam ao longo do tempo e indicam o crescimento dessa prática.

O expositor tenta então analisar o consumo através do que chama de teoria da prática. Para ele, o consumo consistiria em itens, que são apropriados no curso do envolvimento dos indivíduos em práticas particulares. O desafio seria então entender como estas práticas são apropriadas. A partir daí entender como o desejo, à vontade e o querer emana destas relações.

Warde dialoga com Bourdieu e Guiddens (sociólogo inglês), buscando entender a ação de comer fora (eat out) através da teoria da prática, levando em conta os seguintes fatores: a freqüência em que isto ocorre, levando as pessoas a comer fora. Para isso, Warde identifica que o ato de comer fora como um prazer social, já que nem sempre a comida é a principal motivação do ato para os envolvidos.

A última apresentação teve como tema Tendências da Alimentação Contemporânea. Nesse momento, Warde apresenta os resultados de um estudo comparativo sociológico, realizado em toda a Europa sobre a prática da alimentação. O autor ressalta a importância das instituições, do institucionalismo na alimentação. As instituições (como as associações de consumidores) são muito importantes para Warde, pois estes as entendem como mediadora entre a sociedade e consumo, o ato de consumir.

Em um outro estudo realizado por Warde, na Europa, quando apresenta a difusão das culturas do consumo. O autor pretende observar como o uso do tempo mudou em alguns países da Europa entre os anos 70 e o ano 2000. Essa mudança na utilização do tempo teria alterado a relação com o consumo, em especial com prática da alimentação - categoria utilizada por Warde para elaborar sua análise.

Ao analisar, comparativamente o tempo, que os europeus gastam cozinhando, comendo em casa, comendo fora entre a década de 70 e hoje, Warde percebe que os indivíduos gastam, atualmente, muito menos tempo cozinhando e comendo em casa. Ao contrário da relação que estabelecem comendo e bebendo fora.

O ciclo de palestras apresentado sobre o consumo por Warde tem relevância indiscutível, não só pela atualidade do tema proposto, mas pela tentativa bem-sucedida de conjugar no âmbito acadêmico-científico uma abordagem teórica e prática da questão do consumo; prática que deve ser seguida e copiada pela Academia, em especial em nossa área das Ciências Humanas e Sociais.

* Supervisora do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM); Pesquisadora convidada da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Contato: ncpamz@gmail.com

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 01h35 PM
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26/6/07

DAI DE CÉSAR O QUE É DE CÉSAR 

Imagem: http://lacosazuis.blogs.sapo.pt

* Kleiner José Frutuoso Michiles

Nas semanas que passaram, este espaço foi de certa forma sacudido com dois artigos polêmicos sobre o polêmico tema da religião. Em meio ao turbilhão causado pelas discussões gostaria de manifestar também, aquilo que penso a respeito do tema.

O meu amigo Breno foi suficientemente corajoso ao escrever um artigo arrojado que a meu ver merece ser refutado ou ratificado também no campo das idéias. Concordo plenamente com a crítica feita as igrejas que representam a religião de certos pastores, padres, missionários, ou seja, aquelas desvencilhadas dos interesses cotidiano das massas oprimidas, que fizeram da fé mais um espetáculo do mundo dos negócios.

Entretanto, não concordo que a religião em si seja responsável por todos esses desvarios que quase rotineiramente assistimos protagonizados por essas religiões. Como é sabido, não existe sociedade onde não se desenvolvem práticas religiosas sejam elas politeístas, monoteístas, totêmicas não importa.

A fé e a necessidade de crença num ser superior sobrenatural é inerente ao ser humano. Durkheim trata as representações religiosas como constitutivas da sociedade, para ele a religião não era apenas ilusão, pois “dificilmente um fenômeno que se faz presente ao longo da historia dos homens poderia ser resultado de mero equivoco”.

Para Fostel de Coulanges (historiador autor de A Cidade Antiga), no seu estudo sobre a gens romana, mostra a importância do culto dos antepassados e do fogo sagrado na constituição familiar na Roma antiga. Segundo ele, “o que une os membros da família antiga é algo mais poderoso que o nascimento, que a força física: é a religião do fogo sagrado e dos antepassados”.

Como se vê a religião também pode ter algo de positivo quando analisada para além das paixões ideológicas individuais. Concordo em parte com Marx quando diz que a religião de forma generalizada é o Ópio do povo.

Se assim fosse, poderíamos dizer que a política também está incluída nesse bojo, pois é de domínio público que a política pautada na troca de favores, regalias, nepotismo, privatização do Estado (apropriação do Estado pelas minorias) e etc etc, é tão nefasta para as consciências quanto às religiões que objetivam apenas lucro. Entretanto, apesar de ter pleno conhecimento desses fatos ele não disse que a política era o ópio do povo ou disse ?

Sendo assim, não faz sentido eleger a religião como única responsável pelo entorpecimento da consciência coletiva. O que deve se analisar é o contexto de poder no qual ambas estão inseridas. E a partir daí conjeturarmos se as mesmas estão mais para ópio ou se para bálsamo, como diria o grande Leonardo Boff.

A religião também pode ser bálsamo quando não se desvencilha da realidade social juntando conforto espiritual com a construção plena da cidadania, assim como pensava Tiago discípulo de Jesus, quando disse o seguinte: “para Deus o pai a religião pura é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se contaminar com as coisas más deste mundo”.

Aqui está a síntese da religião cristã - o amor incondicional ao semelhante mesmo nas situações mais adversas, o verdadeiro cristão deve colocar esse amor acima de qualquer penitência, jejuns, orações, ou promessas. Nada disso tem valor se não tiver amor. Como se pode observar, contra esses conjuntos de princípios praticamente não há resistência, são valores que quando materializados produzem bons frutos e fazem a diferença entre os indivíduos.

Alguém pode argumentar o amor cristão não é utópico? Pode ser, e daí? Jesus Cristo foi um revolucionário e como todo bom revolucionário fez da utopia o combustível que movia sua vida e suas atitudes.

Aliás, podemos dizer que a utopia é uma das coisas que tinham em comum entre homens como: Che Guevara, Simon Bolívar, Garibaldi, Fidel Castro, Emiliano Zapata e tantos outros. E cada um a sua maneira contribuiu de forma significativa para a melhoria da sociedade e do mundo de seu tempo. Por isso, devemos ter bastante cuidado com as generalizações a respeito de qualquer assunto, principalmente com aqueles que envolvem a fé das pessoas, ou seja, Devemos dar a César o que de César.

* Estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Contato: ncpamz@gmail.com 

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 03h32 PM
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24/6/07

MIRANTE DO COTIDIANO

Os pesquisadores do NCPAM em entrevista a TV/UFAM. Foto: Khemerson Macedo 

A semana que passou foi marcada por grandes eventos comemorativos em homenagem ao primeiro ano de criação do NCPAM. Além dos debates propositivos, participamos também de entrevistas a imprensa e estivemos presentes na plenária de criação do Fórum de combate à corrupção, no dia 22, na sede do Sindicato dos jornalistas, tendo a frente o Deputado Francisco Praciano (PT), Senador Jefferson Péres (PDT) e demais entidades representativas do movimento popular. O Fórum é uma representação suprapartidária que se cria no Amazonas para mobilizar a sociedade organizada a enfrentar o descalabro dos poderes instituídos, qualificando os crimes e responsabilizando seus atores por meio dos institutos legais.

No sábado (23) os pesquisadores do NCPAM, Breno Rodrigo, João Fábio Braga, Khemerson Macedo e Ademir Ramos participaram de um programa na TV/UFAM a convite do seu diretor professor Guaraciaba Tupinambá, onde se divulgou o trabalho do NCPAM, dando ênfase à potencialidade dos alunos pesquisadores que atuam nos projetos de pesquisa, na extensão, na produção e edição desta página.

Ainda nesta semana, na quarta-feira (27) às 9 horas, estaremos reunidos no Sebrae Amazonas, com a gestora do Núcleo de Cultura & Negócios, juntamente com o articulador da TV Futura para se definir parceria tanto nas ações de pesquisa como nas práticas de extensão contemplada nos projetos do Núcleo. No sábado (30), encerraremos nossas atividades comemorativas, reunindo no salão paroquial da Praça 14 de Janeiro, com os comunitários participantes da pesquisa sobre a memória da negritude de Manaus. Na oportunidade, os pesquisadores irão apresentar os resultados do trabalho e ouvir as considerações dos atores envolvidos. Resta-nos agradecer a todos e convidá-los a somar conosco nessa trajetória de trabalho.


- Postado por: Comissão Editorial às 12h11 PM
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