21/7/07
CIÊNCIAS SOCIAIS "PASSADO A LIMPO"

Foto: Ademir Ramos
* Khemerson Macedo
Aconteceu na última quarta-feira, dia 18, na Universidade Federal do Amazonas, o debate Eleição e participação: passando a limpo o DCiS, com a presença de professores e alunos do curso de Ciências Sociais do Amazonas com intuito de discutirem o processo decisório acerca da representação da chefia do departamento. Na oportunidade, formaram a mesa de debates, a Professora Izabel Vale, e o atual chefe do depto., Arnóbio Bezerra.
A convocação resultou dos professores em reunião departamental passada, tendo por intuito trazer ao coletivo a discussão sobre a questão da escolha do novo chefe do departamento. O motivo desse debate nasceu a partir do momento em que foi proposto, em reunião departamental, escolher o novo chefe a partir do colegiado de curso, entre os pares, excluindo o direito dos alunos de eleger tanto a chefia como a coordenação de curso pelo voto direto e universal.
Neste sentido, a partir do momento em que se configurou o impasse, foi encaminhada a reunião ampliada junto aos alunos, em caráter de consulta pública. Desta forma, ficou claro por parte da professora-debatedora Izabel Vale, e por todos os presentes no colóquio, o papel do chefe do departamento, no que diz respeito à representação do curso perante os órgãos superiores da Universidade, bem como foi exposto também, o contexto no qual se encontram hoje, todos os atores das Ciências Sociais, envolvidos direta ou indiretamente, com a Universidade na Sociedade Amazônica.
Diante do debate salutar de idéias fica claro a todos que estão envolvidos neste processo, a urgência de se discutir a própria militância que se faz presente hoje na universidade, uma vez que, a partir do momento que existe a ameaça real de se tirar dos alunos a oportunidade de se escolher o chefe de seu departamento, legando a estes o papel de meros coadjuvantes.
Torna-se necessário, neste momento, uma reflexão acurada acerca da representatividade e participação que queremos. Para isso, é necessário que os alunos e todos os envolvidos com as Ciências Sociais, se posicionem democraticamente como protagonistas da história e não como massa de manobra.
Vale lembrar que o curso de Ciências Sociais no Amazonas, historicamente, sempre procurou lidar com questões que mobilizam diretamente a sociedade, puxando pra si a responsabilidade de refletir e atuar em prol de soluções que atendam o maior número de demandas possíveis.
Este é mais um daqueles momentos em que os sujeitos que fazem hoje as Ciências Sociais aqui no Estado, tomem, pra si, como diriam Candinho e Inês, “as rédeas desse barco”. Esperamos que a metáfora dessa bela música reflita as ações da nossa coletividade, sentindo-nos como ator protagonista desse processo, que consiste na defesa da universidade pública, de qualidade e gratuita.
* Coordenador do Núcleo de Cultura Política do Amazonas e Graduando do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Contato: ncpamz@gmail.com
- Postado por: Comissão Editorial às 02h13 AM
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19/7/07
POLÍTICA E CIDADANIA EM HABERMAS1

* Cleison Fernandes de Souza
Quando se tem a idéia de “cidadania efetiva” e “cidadania participativa”, não há como dissociar estas propostas sem antes ter uma idéia clara da efetiva participação política.
No entanto, uma questão preponderante para que uma cidadania efetiva não se concretize na prática, reside muitas vezes na aversão do brasileiro tem em relação às questões políticas do Brasil e à própria atividade política em si, em decorrência a muitos fatores que contribuem para isso.
As contradições existentes no cerne das discussões sobre uma proposta efetiva de cidadania podem ser melhor entendida à luz do pensamento do filósofo alemão Jürgen Habermas (último herdeiro da escola de Frankfurt), que reflete sobre questões que acabam por se constituir numa espécie de anomalia no sentido da consolidação da democracia e posteriormente na efetivação de uma sólida cidadania.
A conjugação de fatores impede a não concretização de uma cidadania efetiva, ocorre ora pelo fato do personagem central dessa discussão – o cidadão – não ter apreço pela atividade política que deveria exercer, e também pela banalização e descrença em relação ao sistema político-partidário, onde temos um congresso totalmente descolado das mazelas que assolam a maioria do povo brasileiro.
Entram neste contexto, o crescente déficit de moradia, a violência em sua curva ascendente, a má distribuição de renda que ainda persiste de forma assustadora, reformas estruturais no sentido de reduzir a altíssima carga de impostos que minam o fôlego não só do contribuinte individual, mas sobretudo das empresas, em resposta a esse descaso engavetam projetos que resultariam em mais empregos, desenvolvimento e conseqüentemente, contribuiria na tentativa da implementação da cidadania, embora ela não se reduza somente a esses fatores.
Por outro lado, a crescente onda de escândalos, práticas de corrupção, impunidade, corporativismo político, faz com que a classe política de um modo geral caia no descrédito, seja motivo de intensa desconfiança por parte do povo, e consequentemente sejam vistos como uma instituição que não cumpre com o papel que lhes cabe, que é de legislar em favor do povo e representar bem os seus anseios, as suas vontades, ou seja, dar uma resposta aos problemas pontuais existentes e que deveriam ser combatidos.
Tudo isso resulta numa constatação clara e lógica: a formulação da referida proposta de cidadania encontra resistência no início da sua concepção, assim, não há uma concretização da cidadania porque não há antes uma participação política.
Para Habermas, a questão de uma cidadania efetiva remete primeiro à discussão que envolve a institucionalização de dois modelos políticos: o republicano e o liberal. Para filósofo, o modelo liberal argumenta que os direitos humanos freiam a vontade coletiva em detrimento das liberdades individuais, enquanto os republicanos afirmam que a função dos direitos humanos implica em impor a vontade coletiva sobre uma suposta autonomia dos cidadãos, propondo também um modelo de cidadania que se auto-organiza, privilegiando a vontade coletiva.
Todos os fatores negativos mencionados acabam por provocar a banalização da atividade política por parte do cidadão. Assim, como provocar o povo a uma participação política mais intensa, e em seguida produzir a proposta de cidadania mais efetiva, mais participativa quando esta mesma “ação política” já está obstaculizada por esses fatores?
Habermas afirma que uma idéia de “cidadania ativa”, isto é, sutilmente imbuída de caráter impositivo, acaba por se constituir na verdade, - é em uma concepção liberal se sobrepondo sobre a republicana.
Para ele, isso implica em apontar que o modelo republicano de construção da cidadania não se torna suficiente porque é oposto ao modelo liberal, pois exige uma unidade de valores e práticas políticas que podem não se estabelecer em uma sociedade composta de várias complexidades, propondo um equilíbrio entre os dois modelos, ou seja, a ação política proposta pelo modelo republicano e ao mesmo tempo a inviolabilidade das liberdades individuais e privadas do cidadão propostas pelo modelo liberal.
Portanto, Habermas com essa proposta abre uma discussão importante para um modelo de reconstrução de cidadania, onde há vários fatores a serem observados, colocando os modelos republicano e liberal frente a frente, e incitando um aprofundamento importante nas discussões postas em questão.
* Pesquisador e membro do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (ncpam). contato: ncpamz@gmail.com
1 - saiba mais_http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BCrgen_Habermas
AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.
- Postado por: Comissão Editorial às 04h54 PM
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17/7/07
P.I.M EM BAIXA

Foto: www.tomiasi.amazonida.com
* Darlean Oliveira
A valorização de 2,7% da moeda brasileira frente ao dólar, tem prejudicado o faturamento das empresas exportadoras, também a burocracia governamental e a concorrência acirrada dos tigres asiáticos têm prejudicado amplamente as indústrias do pólo industrial da Zona Franca de Manaus, diversos setores têm demonstrado queda de produtividade.
A queda pode ser confirmada com o recente fechamento de cinco empresas de eletroeletrônicos nos últimos meses, e o corte de mais de 4.500 postos diretos de trabalhos. Para os empresários do setor, o P.I.M, já não é mais o Eldorado da Amazônia em relação à ganhos e faturamento.
Em 2006, a arrecadação do setor de eletroeletrônicos foi responsável por 60% de todo o pólo. Para este ano de 2007, mediante a ameaça de fechamento de mais de 52 empresas do setor de eletrônicos, por conta dos atuais nuances do mercado, pela lentidão e burocratização no despacho de mercadorias que entram e saem da região.
Por exemplo, para descarregar os contêineres de um navio leva-se de dois a três dias, o serviço é realizado pelos tigres asiáticos em apenas oito horas, o que faz com que as fábricas percam produção e encomendas para as fábricas instaladas na china .
O processo de fiscalização é outro problema, pois a Receita Federal pode levar até cinco dias para inspecionar os produtos. O Ministério da Agricultura leva quatro dias, e se precisar passar pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são mais sete dias.
Assim, as empresas são obrigadas a trabalhar com grandes estoques para 60 ou até mesmo 90 dias, enquanto o ideal é de 15 dias. Pela lentidão do processo percebemos que as empresas do pólo estão longe de adotarem o modelo de produção japonês, just in time (toyotismo), que trabalha com os estoques baixos e produção por vendas.
Também há ineficiência nos portos e aeroportos de Manaus, o que eleva o tempo de armazenagem dos produtos e os custos de logística das mercadorias, pois aqui no P.I.M, o custo de armazenagem é de oito vezes mais caros que na Índia, assim abrindo precedentes a muitas empresas para mudarem suas filiais para outros países com menores taxas tarifárias e tributárias e melhores condições de serviço.
Mediante esta situação alarmante, o governo do Amazonas estuda uma estratégia de reduzir os impostos para que as indústrias de componentes eletrônicos permaneçam no P.I.M, e como forma de reduzir o impacto da burocratização dos serviços da Zona Franca, tentando encontrar medidas para agilizar o despacho das mercadorias.
Para o governador Eduardo Braga, o imposto sobre produto industrializado (IPI), pode ser usado na taxação de produtos estrangeiros, tornando as empresas mais competitivas. Esse benefício minimizaria a concorrência com os chineses e o impacto com entraves de logística na região. Como sempre o governo tem proporcionado às grandes empresas do P.I.M, subsídios e mais subsídios para as mesmas permanecerem no Estado, mas não tem buscado entrar em acordo com as empresas para melhorar os salários dos industriários que são os braços da produção nas empresas, muito menos aplicando medidas de prevenção e contenção dos resíduos industriais nos mananciais da cidade.
O Estado na implantação da lei de Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, nem sequer mencionou sobre a poluição causada pelas empresas do pólo industrial, enquanto outra lei ambiental está em pauta na Comunidade Européia, o Lead-Free, conhecida como “a lei do sem chumbo” que é a Nova Lei, que proíbe o uso do chumbo em todo e quaisquer equipamentos eletrônicos.
A solda tradicional que é usada em quase 100% de todos os produtos fabricados no P.I.M é composta de 60% de estanho (Sn) e 40% de chumbo (Pb) e a partir do padrão europeu instituído, os fabricantes terão que substituir os metais proibidos pela prata, o cobre e o bismuto, em toda cadeia produtiva.
Será que o Estado está tomando alguma medida energética para reduzir esse tipo de poluição e para evitar o impacto causado ao homem e ao meio ambiente?
Por exemplo, a chuva ácida dissolve o chumbo e outras substâncias perigosas dos equipamentos e contamina os lençóis freáticos e os mananciais da cidade, provocando danos ao sistema nervoso, alterando sensivelmente o comportamento dos indivíduos que tem contato com este tipo de contaminação.
Podemos notar que o Estado está fazendo vista grossa, ou simplesmente não está interessado na discussão do Lead-Free, pois a Propaganda da CUT – Amazonas, no ultimo dia 5 de junho de 2007, em detrimento do Dia Mundial do Meio Ambiente, foi a seguinte: “A maior contribuição dos trabalhadores do Amazonas com o Meio Ambiente, é manter a Indústria Limpa da Zona Franca de Manaus como fator determinante para a melhoria da vida no Planeta Terra.”
Resta-nos a pergunta, com direito a resposta: Como o P.I.M tem melhorado a vida no Planeta Terra?
* Membro do Núcleo de Cultura Política do Amazonas e estudante de Ciências Sociais da UFAM. contato: ncpamz@gmail.com
AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.
- Postado por: Comissão Editorial às 06h29 PM
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15/7/07
MIRANTE DO COTIDIANO

Foto: Ademir Ramos
No sábado passado (14), em Manaus, a editora Valer promoveu o lançamento da segunda edição da obra, A Invenção da Amazônia de autoria da Professora e Escritora Neide Gondim. A primeira edição, já estava esgotada, fazendo-se necessário sua reedição para que os especialistas e iniciados conhecessem as variadas imagens e representações que os conquistadores europeus fizeram sobre o nosso território mítico-histórico.
Para o saudoso professor Octavio Ianni, “são muitos os mistérios deste livro, combinando ciência e poesia. Neide Gondim desvenda aqui um dos segredos da história, do modo pelo qual muitos empenham-se em conhecer, defender, recuperar, preservar o mundo amazônico; um mundo que parece indispensável à imaginação de todo o mundo”.
A segundo edição de A Invenção da Amazônia, com capa envernizada, além de agregar o padrão da Editora Valer, traz também a apresentação do renomado escritor Márcio Souza. Trata-se, segundo ele, de uma explanação efetiva do processo de construção ideológica de um território, parte do conjunto de mitos e fabulações pelas quais os pensadores europeus inventaram a América.
Em seu referendo literário, Márcio Souza encerra suas afirmativas, enunciando que “A Invenção da Amazônia, além de nos convidar a repelir tantas viagens, não esquece de nos informar que estas foram feitas de ilusão e preconceito”. O grave de tudo isso é quando essas representações exóticas sustentam políticas de governo. Só nos resta a protestar para que sejamos reconhecidos, não pelo que o outro diz e pensa, mas, efetivamente pela construção de nossas especificidades culturais.
O NCPAM se fez presente no encontro literário da Valer, onde encontramos os professores Paulo Monte, Narciso Lobo, Renan Freitas Pinto, os escritores Márcio Souza, Luiz Bacellar, Élson Farias, Marcílio Freitas, Tenório Telles e outros intelectuais de valor.
- Postado por: Comissão Editorial às 01h15 PM
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