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11/8/07

A RELIGIÃO NA SOCIEDADE MODERNA

Quadro: encontros, 1944 - M. C. Escher

Quadro: Encontros, 1944 - Maurits Cornelis Escher

* Aquiles Pinheiro

O que dizem os pais das Ciências Sociais sobre os fenômenos religiosos das grandes “religiões de salvação”? Ludwig Feuerbach, Karl Marx, Èmile Durkheim e Max Weber, cada qual a sua maneira, buscaram explicar os fenômenos religiosos de massa.

Segundo Feuerbach (1841), a religião consiste em idéias e valores produzidos socialmente, ou seja, produzidos por seres humanos no decorrer do seu desenvolvimento sócio-histórico e, que são equivocadamente projetadas pelo psiquismo humano nas forças divinas ou nos deuses. Como os seres humanos não têm uma compreensão plena de sua própria história, eles tendem a atribuir valores e normas gerados socialmente a atividades dos deuses. Assim, a história dos dez mandamentos dados por Deus a Moisés, seria uma versão mítica da origem dos preceitos morais que controlam a vida de judeus e cristãos.

Feuerbach emprega o termo “alienação” para se referir à instituição de deuses ou forças divinas distintas dos seres humanos. Ou seja, idéias e valores humanamente criados são “entificados”, ou seja, acabam sendo vistos como o produto de seres alienados ou independentes – forças religiosas e deuses.

Marx (1845-46) não rejeitava a religião, mas acreditava que ela é a auto-alienação humana. A religião, segundo ele, é o “coração de um mundo sem coração”, isto é, um bálsamo ou refúgio para as vicissitudes da realidade cotidiana. Sua opinião é a de que a concepção tradicional da religião deveria, com o passar do tempo, desaparecer; mas somente porque os valores positivos incorporados na religião podem se transformar em ideais que orientam a melhoria do destino da sociedade humana, e não porque esses mesmos ideais e valores estejam errados. Assim, não deveríamos temer os deuses que nós mesmos criamos, e deveríamos parar de dotá-los de valores que nós mesmos podemos concretizar por meio da luta social.

Em outra frase famosa, Marx declarou que a religião é o “ópio do povo”, querendo dizer, na medida em que a religião nos ensina a aceitar resignadamente as condições de existência (material) nessa vida, desvia a atenção das desigualdades e das injustiças deste mundo em razão da promessa de um mundo (sem injustiças) vindouro.

Para Marx, a religião possui um forte elemento ideológico; um sistema de crenças e valores que servem para justificar desigualdades em termos de riqueza e poder. Por exemplo, o ensinamento - “os mansos herdarão a terra”, sugere atitude de subserviência e não-resistência diante da opressão dos poderosos.

Diferentemente de Marx, Durkheim (1912) não associa a religião essencialmente às desigualdades sociais ou ao poder, mas a relaciona com a natureza geral das instituições de uma sociedade. Estudando o totemismo australiano, Durkheim concluiu que essa prática é a “forma mais elementar de religião”. Um “totem” é um animal ou planta escolhido por se acreditar possuir em sua origem, um significado simbólico específico para um grupo social. Por essa razão, o totem é um objeto sagrado, venerado e utilizado para a realização de várias atividades ritualísticas.

Por que o totem é considerado sagrado? Para Durkheim, a explicação está no fato de ele ser o símbolo do próprio grupo, representando valores centrais para o grupo ou comunidade. Assim, a reverência das pessoas em relação ao totem deriva, na verdade do respeito que sentem pelos principais valores sociais. Na religião, o objeto do culto, na verdade é a própria sociedade. Desse modo, quando as pessoas vão a igreja cultuar a “deus”, estão na verdade, prestando culto à própria Sociedade (i.é., normas e valores socialmente estabelecidos, entificado em um deus).

Durkheim acreditava que o desenvolvimento das sociedades modernas, a religião tradicional se tornaria menos influente, pois cada vez mais, o conhecimento científico substituiria o pensamento religioso, e as atividades cerimoniais e rituais passariam a ocupar apenas uma pequena parte da vida das pessoas.

E Weber (1905-06), o que pensava sobre o fenômeno religioso? Bem, as idéias de Weber sobre religião diferem das idéias de Durkheim no modo como relacionam a religião à transformação social. Contrastam também com as idéias de Marx, pois Weber argumenta que a religião não é necessariamente uma força conservadora; ao contrário, movimentos inspirados na religião muitas vezes geram transformações sociais impressionantes. Assim, o Protestantismo, em particular o Puritanismo foi, na opinião de Weber, a fonte de inspiração para a formação da sociedade capitalista no Ocidente moderno.

Weber considerava o cristianismo uma “religião da salvação”, que envolve a convicção de que seres humanos podem ser salvos caso adotem as crenças da religião e sigam seus princípios morais. As noções do pecado e da libertação do pecaminoso por meio da graça de Deus são fundamentais para gerar a tensão e o dinamismo emocional necessários à revolução social.

Assim, Feuerbach, Marx, Durkheim e Weber, cada qual do seu jeito, identificaram algumas características gerais importantes da religião, e, em certos aspectos, suas opiniões são complementares. Marx tem razão ao afirmar que a religião muitas vezes tem implicações ideológicas, servindo para justificar os interesses de grupos dominantes. Weber também tem razão quando enfatiza o inquietante e, muitas vezes revolucionário impacto dos ideais religiosos sobre as ordens pré-estabelecidas. Finalmente, Durkheim, em certa medida, também tem razão quando enfatiza o papel da religião em promover a coesão social.

A margem do que foi exposto, conclui-se que a secularização de idéias religiosas (sejam de origem mítica ou de suposta revelação divina) é um fato histórico e social necessário à própria existência da sociedade, por essa razão temos de ser tolerantes e aprender a conviver com os diferentes credos religiosos, inclusive os mais radicais.

* Co-editor e pesquisador do Núcleo de Cultura Política do Amazonas  (NCPAM) e graduando de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Contato: ncpamz@gmail.com

saiba mais http://www.scielo.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 11h08 AM
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9/8/07

O ANIMAL HOMEM

http://torpedoverbal.blogspot.com

 * Cleison Fernandes de Souza

O mundo presenciou nos últimos dias o pior acidente da aviação brasileira em todos os tempos, ocorrida com o avião da TAM. Corpos mutilados, carbonizados, estas vidas não tiveram uma chance sequer de escapar da tragédia que se anunciava.

Em um episódio não muito distante, a Ministra do Turismo tentando “amenizar” o descaso com os passageiros nos aeroportos brasileiros foi taxativa no recado dado aos mesmos: “relaxa e goza”, ou seja, o caos que paira sobre o setor aéreo brasileiro e aflige de forma cruel quem necessita desse tipo de transporte pode ser bem aceito, pode ser digerido seguindo apenas os conselhos acompanhados de metáforas sexuais da Ministra, diga-se de passagem, deveria ser demitida pelo Presidente se ele tivesse um mínimo de respeito pelos cidadãos.

O Sr. Ministro da Fazenda foi mais “claro” ao tentar abrandar a ira dos passageiros que são todos os dias desrespeitados pelas autoridades oficiais do setor aéreo afirmando que o caos no setor é conseqüência do “vigor da economia e do crescimento econômico do país”.

O Assessor especial da Presidência da república para Assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia foi flagrado em um gesto obceno diante das câmeras de televisão em uma clara demonstração de incompatibilidade do cargo que ocupa. Shopping’s, praças de alimentação, praças de diversão recebem prioridade dos investimentos do governo em detrimento da segurança dos passageiros.

Mas nada se compara à cerimônia de entrega da Medalha do Mérito concedida às autoridades que prestaram “relevantes serviços” à nação na área de aviação, concedida ao Presidente da Agencia Nacional de Aviação Civil (ANAC) Sr. Milton Zuanazzi. Vale lembrar que a ANAC é uma agência que deveria em tese regular o setor e fiscalizar as companhias, mas não consegue nem cumprir com o seu papel, sendo uma agência que não mostrou ainda ao certo para que veio (qual a sua real função), e demonstra de acordo com a imprensa o mais assombroso de todos os fatos.

É acusada também de estar do lado das companhias e dos seus interesses, e não do cidadão, a quem deveria proteger. Uma agência que teve o seu presidente recebendo honrarias dois dias após o trágico acidente que matou 200 pessoas entre passageiros e trabalhadores do galpão da TAM.

Se o Sr. Presidente da ANAC tivesse um mínimo de bom senso e de respeito, não apenas pela memória das vitimas que se foram, mas também pela dor, pelo drama e pelo sofrimento das famílias dos mortos. Ele deveria ter recusado participar daquela solenidade em gesto de solidariedade.

Tal atitude pode ser entendida como um gesto de frieza, de descaso, de falta de humanismo, da falta de coragem Sr. Presidente em compartilhar a dor de parentes que perderam entes queridos, de uma brusca insensibilidade com a dor alheia. Tal gesto do Sr. Presidente provoca indignação, constrangimento e vergonha. Enquanto famílias choram seus mortos.

Aquele que deveria tomar ações para melhorar o setor, tem sua parcela de culpa no trágico acidente, mas prefere receber uma Medalha de Honra ao Mérito (mas de quê?). Ele ainda é presidente da Agência, portanto a sua missão ainda não foi concluída. Um gesto que mancha a imagem da nação, talvez não possa ser bem entendido porque não podemos fazer mais nada para trazer as vidas que se foram. 

O que restará é a lembrança da tragédia, de vermos famílias que não verão mais seus parentes mortos, tendo que conviver com a dor da perda de forma triste e cruel, enquanto a solenidade em que o Sr. Presidente participou horas depois do acidente ficará registrada na história como prova viva da sua impressionante frieza.

Infelizmente (se é que podemos dizer assim) a história não permite tais fatos possam ser apagados ou esquecidos. E a história registrou esse momento histórico e triste que ainda perdura de forma tão viva e cruel, famílias chorando fruto da dor da perda e autoridades sendo condecoradas em pleno momento de luto nacional. Talvez a explicação para todo esse descaso se resuma em uma simples reflexão filosófica - os homens também são animais.

* Pesquisador e membro do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (ncpam). contato: ncpamz@gmail.com

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 10h16 AM
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7/8/07

LULA E O NEOLIBERALISMO

http://www.resistir.info

Imagem: http://www.resistir.info

* Michel Delmiro de Souza

Prima facie, como defensor do NEOLIBERALISMO, acredito que este sistema é capaz de proporcionar o desenvolvimento econômico e social de um país, na medida em que prima por uma economia mais competitiva, proporcionando o desenvolvimento tecnológico e, através da livre concorrência, faz os preços e a inflação caírem.

O neoliberalismo é um sistema econômico que propugna por uma intervenção mínima do Estado na economia. É um aprimoramento do liberalismo, que pregava a total ausência do Estado na economia.

No Brasil, o Governo avançou, na medida em que promove, aos moldes neoliberais, mudanças significativas e louváveis na política econômica e social, por sua vez, fomenta o desenvolvimento econômico e financeiro da economia nacional e proporciona melhores condições de vida à população trabalhadora. Neste particular, é fato: o Governo Lula construiu uma nova versão do modelo capitalista: (neo) neoliberal.

É pertinente que essas mudanças constituem a introdução de elementos completamente novos em relação aos que vinham sendo feitos anteriormente, alavancando aquilo que começara a ser feito sob o segundo mandato de FHC.

De tal sorte, muito coerentemente, de fato (e de direito), pode-se dizer quanto o Governo Lula dá seqüência ao que começou a ser feito no final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Isso é necessário e imprescindível para o desenvolvimento do país.

De um lado, insistindo, ainda, numa relação desarmônica, o Governo Lula recuperou e ampliou seu populismo. As reivindicações dos trabalhadores organizados são atendidas, ainda que em parte, pois, por razoabilidade e proporcionalidade, seu atendimento pleno custaria caro ao capitalismo brasileiro e ao capital financeiro.

Ainda assim, é fato que, tais concessões, em médio prazo deverão ser abolidas, posto que as pessoas abominam a demagogia barata de outrora, igualmente rejeitam as sobras de caixa que dependiam do humor daqueles que os aliciavam.

Por outro, com coerência, mantém o equilíbrio nas concessões salariais, o que é necessário, não sendo, entretanto, omisso diante do drama do desemprego, na qual viabiliza o fomento da agricultura familiar, da acessibilidade de empreendedores a créditos a baixos juros, p. ex, o equilíbrio dos direitos previdenciários do setor público e, também, do setor privado. Medidas necessárias à estabilidade econômica de longo prazo.

Deste modo, não acreditar no progresso da humanidade, acoadunando-se o tal sistema, é incorrer no torpor, na imprecação, bem como em condutas com tendências paleolíticas inferiores, a exemplo das correntes ideológicas retrogradíssimas e a elas antagônicas.

Em que pese às opiniões antagônicas, há-se de convir que são plausíveis os entendimentos acerca do NEOLIBERALISMO, uma vez que as sociedades, naturalmente, tendem ao progresso, à evolução em todos os âmbitos, dada a razoabilidade do sistema NEOLIBERAL. Pois, se assim não o fosse, talvez estaríamos no paleolítico ou ainda no neolítico.

* Acadêmico de Ciências Econômicas e Direito da Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Contato: ncpamz@gmail.com

AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.


- Postado por: Comissão Editorial às 04h53 PM
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5/8/07

MIRANTE DO COTIDIANO

Foto: Ademir Ramos

Foto: Ademir Ramos

Para despertar a justiça e as lideranças sociais recorremos às representações artísticas das mulheres artesãs do Vale do Jequitinhonha, situado no norte do Estado de Minas Gerais, para acordar os homens e lembrá-los que no dia 07 de agosto, a Lei nº 11.340, batizada como Lei Maria da Penha, completa 01 ano de sua obrigatoriedade em todo território nacional. A Lei em vigor cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do parágrafo 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe ainda, sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal, permitindo que agressores sejam presos em flagrante ou tenham a prisão preventiva decretada e dá outras providências para ser cumprida regiamente pelos operadores de justiça em todo o Brasil.

A lei também traz uma série de medidas para proteger a mulher em situação de agressão ou cuja vida corre risco. Entre elas, a saída do agressor de casa, a proteção dos filhos e o direito de a mulher reaver seus bens e cancelar procurações feitas em nome do agressor. A violência psicológica passa a ser caracterizada também como violência doméstica.

A Lei 11.340 garante que a mulher poderá também ficar seis meses afastados do trabalho sem perder o emprego se for constatada a necessidade de manutenção de sua integridade física ou psicológica. É hora de se perguntar o que está feito nos Estados e Municípios em favor do cumprimento da Lei e pela garantia dos Direitos da Mulher. Para não passar em branco a data, 07 de agosto, o NCPAM manifesta sua indignação pelo descaso dos governantes inoperantes, chamando o Movimento Social e a todos os amantes da justiças a se comprometerem com a Luta pelo Direito, manifestando de forma organizada ou voluntariamente o seu total apoio às mulheres contra todas as formas de violência.


- Postado por: Comissão Editorial às 10h32 AM
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