18/8/07
20 anos de saudade

* Bruno Avelino Leal
Há 20 anos morreria o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Sua falta não se expressa apenas na sua produção literária, mas, sobretudo pela sua humanidade, através de palavras - sentimento do mundo. Sua poesia não é incomunicável aos dias atuais, pois mostra os conflitos humanos, a guerra, a injustiça social, a devastação da natureza, a corrupção etc.
A poesia de Drummond convoca para a ação coletiva; seus escritos incitam não teimar em reclusão em nosso canto, vendo a banda e o povo passar, mesmo se tiver inúmeras pedras no caminho, mesmo sofrendo recaídas, é preciso acreditar e mesmo com as retinas fadigas - é preciso olhar para frente com entusiasmo e esperança que um dia a humanidade saberá dar valor para as coisas simples da vida.
Toda sua produção literária recai para as questões humanas sejam elas individuas ou coletiva, assim Drummond aponta para a importância que os indivíduos têm para formação de uma sociedade mais justa e igualitária. Que só se tornará possível o sonho se for sonhado coletivamente como o poeta declara “porque não podes sozinho, dinamitar a ilha de Manhantan”, ou seja, os homens têm de buscar alternativas em conjunto para combaterem a besta fera do sistema capitalista, lembrando que Drummond, escreveu para o Partido Comunista do Brasil a convite de Luís Carlos Prestes nos anos 30 e 40.
“As discussões políticas e filosóficas em torno da idéia de paz, e sobre os meios de alcançá-la, são infindáveis. A bem dizer, apenas sofrem um intervalo enquanto se travam as guerras, sempre mais fáceis de declarar. Entretanto, a chave do problema é teoricamente simples, e pode ser encontrada no antigo testamento, salmo 84, n° 11. ‘a misericórdia e a verdade se encontraram , a justiça e a paz se beijaram’. “
Resumindo: o outro nome da Paz é Justiça.
Portanto, este pequeno texto busca refletir a importância do humanista Carlos Drummond de Andrade, que fez de sua vida e de suas palavras uma “arma” em prol da justiça social, estimulou não só a ler sua obra como também buscar alternativas concretas a partir de sua postura “gauche” em sua existência, deste modo diz o Itabirano.
* pesquisador do Núcleo de Cultura Política do Amazonas e finalista do curso de Ciências Sociais da UFAM.
AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.
- Postado por: Comissão Editorial às 12h07 PM
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15/8/07
NOSSAS HOMENAGENS

Autor: Baptistão - www.baptistao.zip.net/
Dia 17 deste mês de agosto, ou seja, amanhã completa 20 anos da perda de um dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade, lembrando que ele não era um poeta de um mundo caduco, mas um poeta de versos atuantes com o cotidiano, o social, o político, o presente e a memória. No entanto, resgata-se uma das raras entrevistas publicada na revista Manchete datada de 1982, de autoria de Leonor Xavier, onde o poeta aparece em sua biblioteca. No texto, Drumond faz declarações quanto ao valor da poesia, do significado do Amor, do pessimismo dotado de esperança e outros temas recorrentes da arte da poesia. Referente às crônicas, explica o poeta, “eu procuro usar a linguagem falada, comum no Brasil, com seus tiques, as suas peculiaridades, um pouco de gíria, também de vez em quando, por brincadeira, uma palavra erudita que está no dicionário mas não está na conversa de café ou de rua, e isso também para desperta no leitor uma certa curiosidade [..]. O cronista é uma pessoa que diverte, que distrai, mas de vez em quando é obrigado a falar sério”. Nossas homenagens ao poeta é compartilhada com nossos leitores, relendo uma de suas crônicas extraída do livro “De notícias & não notícias faz-se a crônica”.
A DE SEMPRE
— Até beber cerveja ficou difícil — queixa-se. — O preço? — Não. A variedade. O embaras du choix. — Mas se você já estava acostumado com uma... — E as novas que aparecem? Em cada Estado surge uma fábrica, se não surgem duas. Cada qual oferecendo diversas qualidades. Você senta no bar de sua eleição, um velho bar onde até as cadeiras conhecem o seu corpo, a sua maneira de sentar e de beber. Pede uma cervejinha, simplesmente. Não precisa dizer o nome. Aquela que há anos o garçom lhe traz sem necessidade de perguntar, pois há anos você optou por uma das duas marcas tradicionais, e daí não sai. Bem, você pede a cervejinha inominada, e o garçom não se mexe. Fica olhando pra sua cara, à espera de definição. Você olha para cara dele, como quem diz: Quê que há, rapaz? Então ele emite um som: Qual? Você pensa que não ouviu direito, franze a testa, num esforço de captação: qual o quê? Qual a marca, doutor? Temos essa, aquela, aquela outra, mais outra, e outra, e outras mais... Desfia o rosário, e você de boca aberta: Como? Ele está pensando que eu vou beber elas todas? Acha que sou principiante em busca de aventura? Quer me gozar? Nada disso. O garçom explica, meio encabulado, que a casa dispõe de 12 marcas de cerveja nacional, fora as estrangeiras, sofisticadas, e ele tem ordem de cantar os nomes pra freguesia. Até pra mim, Leovigil? pergunto. Bem, o patrão disse que eu tenho de oferecer as marcas pra todo mundo, as novas cervejas têm de ser promovidas. Não mandou abrir exceção pra ninguém, eu é que, em atenção ao doutor, fiquei calado, esperando a dica... Não quis forçar a barra, desculpe. — E aí? — Aí eu disse que não havia o que desculpar, ordens são ordens e eu não sou de infringir regulamentos. Os regulamentos é que infringem a minha paz, freqüentemente. Mas para não dar o braço a torcer, nem me declarar vencido pela competição das cervejas, concluí: Leovigil, traga a de sempre. — Não quis dizer o nome? — Não. Minha marca de cerveja — "minha garrafa", digamos assim, pois a individualidade começa pela garrafa — passou a chamar-se "a de sempre". Não gosto de mudar as estruturas sem justa causa, nem me interessa dançar de provador de cerveja, entende? — Mas que custa experimentar, homem de Deus? — Só por experimentar, acho frívolo. Os moços, sim, não encontraram ainda sua definição, em matéria de cerveja e de entendimento do mundo. Saltam de uma para outra fruição, tomam pileques de ideologias coloridas, do vermelho ao negro, passando pelo róseo, pelo alaranjado e pelo furta-cor. Mas depois de certa idade, e de certa experiência de bebedor, você já sabe o que quer, ou antes, o que não quer. Principalmente o que não quer. E é isso que os outros querem que você queira. Tá compreendendo? — Mais ou menos. — Na verdade, não há muitas espécies de cerveja, no mundo das idéias. Mas os rótulos perturbam. Uns aparecem com mulher nua, insinuando que o gosto é mais capitoso. Bem, até agora não vi rótulo de cerveja mostrando mulher com tudo de fora, mas deve haver. Mulher se oferecendo está em tudo que é produto industrial, por que não estaria nos sistemas de organização social, como bonificação? — Você está divagando. — Estou. Divagar é uma forma de transformar pensamentos em nuvem ou em fumaça de cigarro, fazendo com que eles circulem por aí. — Ou se percam. — E se percam. Exatamente. 0 importante não é beber cerveja, é ter a ilusão de que nossa cerveja é a única que presta.
Sujeito mais conservador! Ou sábio, quem sabe?
- Postado por: Comissão Editorial às 01h14 PM
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14/8/07
COMBATE À CORRUPÇÃO

Imagem: www.avozdocidadao.com.br
* Ademir Ramos
No desenvolvimento da teoria política nos deparamos com uma afirmativa categórica de Aristóteles, que define o homem como um animal político por natureza. No entanto, no curso das investigações referentes às relações de poder, enquanto objeto de estudo da ciência, está comprovado que o homem faz-se político, quando se submete ao ordenamento do Estado ou da Sociedade.
Dessa feita, “o político” deixa de ser um predicativo da natureza e torna-se um produto das relações sociais e dos costumes como bem definia Montesquieu em seu tratado sobre O Espírito das Leis.
Nesses termos, afirmara o renomado autor, que “a virtude numa república, é uma coisa muito simples: é o amor pela república [...]. Uma vez que o povo possui boas máximas, ele as guarda por mais tempo do que o que chamamos os homens de bem. É raro que a corrupção comece com ele”.
Por certo, estaria o velho teórico equivocado com o que vem ocorrendo nos últimos anos em nossa república? Não teriam os brasileiros “boas máximas” ou estariam muito mais identificados com os homens de bem (oportunistas)?
No realismo político sabe-se muito bem, não são as máximas e os princípios, os norteadores do amor pela república. São as formas imperativas de domínio do Soberano ou à Vontade emanada do controle da sociedade, que obrigam os homens a negar suas paixões e conter sua natureza, em beneficio da “coisa pública”.
Nessa circunstância, analisando a relevância da política, é lamentável, que o combate à corrupção no Brasil seja instaurado, em primeira instância pela Polícia Federal (PF), quando se esperava que fosse tratada politicamente pelos instrumentos de controle social operante, como Tribunal de Contas, o Ministério Público Investigativo, os Partidos Políticos, as Organizações Sociais e outros instrumentos populares.
A prática da PF justifica-se pelo corporativismo reinante nas Casas Legislativas, muito mais ainda, pelo imobilismo presente da Sociedade Civil e do reducionismo partidário, que instrumentalizam os Partidos para assegurar interesses privados.
Dessa feita, não só o Poder Executivo está em julgamento, como também, o Congresso Nacional encontra-se sob suspeição. Pois, seus representantes partidários, em número significativo respondem por corrupção ativa ou passiva, por direcionar Emendas Constitucionais para construtoras e outras empresas, que lhes oferecem propinas e “presentes” com valor de grande monta.
Sem controle social, o Brasil transforma-se num paraíso da corrupção porque a guerra entre os grupos econômicos interessados viola princípios, normas e valores, fragilizando, cada vez mais as instituições democráticas. É urgente que se discuta a proposta do Orçamento Impositivo, bem como a Reforma Partidária para se dar relevância a prática política republicana.
Neste contexto, a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito é uma tentativa desesperada de exercer a direção política do processo, o que pode complicar ainda mais, quando se comprova, com exceção, no Congresso Nacional o corporativismo tem predominado muito mais do que a Justiça reclamada pelos fatos.
O combate à corrupção deve ser incansável se realmente almeja-se um Brasil participativo, igualitário e justo socialmente.
* Presidente do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM); Antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). contato: ncpamz@gmail.com
AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.
- Postado por: Comissão Editorial às 01h17 PM
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12/8/07
MIRANTE DO COTIDIANO

O projeto do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM) patrocinado pela Pró-reitoria de Extensão da UFAM, com o apoio da Secretaria Estadual de Educação e Qualidade do Ensino (SEDUC) e do Fórum Permanente sobre Diversidade Étnico Racial, vem sensibilizar os educadores, estudantes e comunitários para o cumprimento da Lei 10.639/2003, que institui no currículo escolar da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História da África e História e Cultura Afro-Brasileira. Essa proposta pretende reconhecer e respeitar a cidadania ativa dos afro-brasileiros do Amazonas, a partir da afirmação e valorização de sua identidade sociocultural no espaço escolar.
Pretende-se efetivar a mobilização dos educadores, estudantes e comunitários para integrar as Oficinas Pedagógicas nas Escolas selecionadas, participando das palestras, debates e prestando depoimentos sobre os seus valores culturais. As Oficinas sobre a temática em questão junto à comunidade escolar objetiva mobilizar esforços para se definir uma proposta político-pedagógica, que contemple a inclusão de forma permanente nos currículos escolares dos conteúdos da História da África e História da Cultura Afro-brasileira nas escolas do Amazonas, considerando que: o movimento negro vem, ao longo dos anos, reivindicando revisão do currículo escolar nos diversos níveis de ensino formal. Essa reivindicação tornou-se lei e foi delineada nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Raciais e para o Ensino da História e da Cultura Afro-brasileira e Africana. Entretanto está na lei, mas não está nos costumes. Construir uma prática pedagógica que destaque o negro como sujeito ativo na construção de nossa sociedade é um dos grandes desafios que se tem enfrentado (SANTOS, Simone. “Currículos, relações raciais e cultura afro-brasileira”. In: Salto para o Futuro. Boletim 20, outubro de 2006).
As Escolas Estaduais selecionadas são: Luizinha Nascimento, 21 e 22 de agosto. Primeiro de Maio, 23 e 24 de agosto e Farias de Britto, 28 e 29 de agosto. No primeiro dia as atividades começarão as 13h30 com manifestação comunitária no pátio das Escolas estendendo-se até as 17 horas, no dia seguinte as Oficinas iniciam-se às 14h encerrando às 17 h. A faculdade Martha Falcão, como membro do Fórum, participará com os trabalhos dos seus alunos expondo painéis sobre a temática em questão nas dependências das Escolas. O Fórum étnico racial participará efetivamente das Oficinas, que deverão contar com a presença de 30 alunos na qualidade de multiplicadores atuando na própria comunidade escolar que estudam. O NCPAM pretende ampliar essas ações para outros distritos escolares, bem como pelos demais municípios do Estado do Amazonas.
- Postado por: Comissão Editorial às 04h22 PM
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