A indignação e a vergonha são tamanhas. Cai sobre todos nós brasileiros uma tragédia nacional, um golpe a democracia deste país que ainda manca para sua plena consolidação como sistema político viável aos interesses da população.
Absolvição do Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi contra os princípios democráticos e da vontade popular. Sua conduta perante o senado da república é irrepreensível, segundo o documento de defesa apresentado pelo advogado Maurício Corrêa que tentou acomodar a crise na cama. Ele cita no texto, um pensador francês Saint-Beuve: “[...] Quando o destino de uma nação está no quarto de uma mulher, o melhor lugar para um historiador é a antecâmara”.
Valendo-se deste argumento, percebe-se o prostíbulo que se organiza em torno do congresso, principalmente na câmara alta da república onde devia zelar pelos direitos constitucionais do povo e preservar a democracia. Pois, a bela jovem democracia é a prostituta dos picaretas de plantão que lidam com vacas atoladas, lobistas, laranjas e mensalões, nas quais permeiam e dominam a hipócrita política brasileira.
As provas substanciais que compunham a acusação de quebra de decoro parlamentar por ter recebido dinheiro da empreiteira Mendes Júnior, por meio do lobista Cláudio Gontijo, para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento são tão evidentes quanto à intimidade acometida entre quatro paredes de uma linda mulher que revelara tal situação com um homem público por uma desilusão?
Se fora chantagem apenas por interesse próprio, isso espreme a guarnição típica dos rabos-presos do planalto devido ao medo do coronel Renan de abrir a boca e levar consigo uma meia dúzia de pigmeus que posam de gigantes nos holofotes da nação. Como se diz por ai, se um elefante incomoda muita gente, imaginem outros mais...
É Nesta cambada de outros que o alerta geral se generalizou por um clima fúnebre pela banda podre dos bastidores da política nacional, já que absolvição não afastou a crise mas aprofundou a imoralidade e a desconfiança do futuro da casa que para muitos demonstrou a exemplo dos indivíduos, as instituições republicanas podem cometer suicídio.
A loucura imerge no fingimento que nada aconteceu, tudo não passou de uma alucinação coletiva, como bem definiu o jornalista Josias de Souza que o senado “convidou toda a sociedade a compartilhar de sua esquizofrenia, num sacrifício coletivo das evidências.”
O resultado indignou a sociedade brasileira, tal circo sem graça dos senadores fez dos cidadãos os palhaços da nação, acalentando o véu a desmoralização democrática deste país sobre os interesses privados. Espera-se que a crise possa trazer mudanças significativas no regimento, de forma transparente e aberta para que toda população possa saber quem é realmente o seu candidato, principalmente nas horas mais lúgubre.
Ao leitor indignado, recomenda-lhe agir e acima de tudo escutar a música do Chico Buarque "Geni e o Zepelim" em homenagem ao Congresso Nacional, conforme apelidou o senador Jefferson Péres (PDT-AM), - "Geni Nacional". Refrão da letra - "joga pedra na Geni/ joga pedra na Geni/ ela é feita pra apanhar/ ela é boa de cuspir/ ela dá pra qualquer um/ maldita Geni...
* Editor Geral do Núcleo de Cultura Política do Amazonas e finalista do curso de Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas. contato: ncpamz@gmail.com
AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.
A linguagem do amor é culturalmente representada por formas e significados, que fazem dos homens e mulheres reféns de suas culturas. Os índios Gavião, da Amazônia brasileira, quando querem namorar, segundo Betty Mindlin, em “Couro dos Espíritos”, cantam os seguintes versos: Quero ficar na forquilha/ Pernas enroscadas/ Forquilha contra forquilha/ A madeira molhada.
Em outra ambiência, o psicanalista e filósofo francês Jean-Bertrand Pontalis, consagrado pelo discurso sobre a mulher - Elles [Elas] – publicado pela editora Gallimard, em Paris, afirma ser “apaixonar-se” a expressão máxima dessa relação, que em francês se diz “tomber amoureux”, que significa literalmente “cair de amor”.
Trata-se na verdade de uma queda, que faz pensar, segundo Pontalis, em entrevista a Jacques Drillon (Folha de S. Paulo, 2/9/07), “para onde caímos ou melhor dizendo, de onde caímos? Caímos de nós mesmos, caímos fora de nós mesmos, caímos no outro. [...] É um outro que nos é revelado dentro de nós mesmos. Como quando escrevemos: não sabíamos que sabíamos aquilo”.
Aliás, esclarece o psicanalista, “o sexual não está obrigatoriamente em jogo nesse momento. Inversamente, se você sente o desejo irreprimível de transar com uma garota, não necessariamente está apaixonado por ela”.
Quanto à afirmação de que o seu discurso é extremamente masculino, Pontalis é objetivo em dizer que: “não posso assumir o ponto de vista de uma mulher. Mas é justamente esse um dos temas do livro: o homem não tem acesso ao gozo da mulher. Ao mistério dos mistérios. [...] O gozo feminino é irrepresentável, logo de certa maneira, inimaginável”.
A libido, para o autor de Elles“pode se enfraquecer, mas ela se desloca para outros lugares, para o trabalho, a criação, o poder, pois uma das grandes descobertas de Freud é que a libido não está ligada unicamente ao sexo. Somos apaixonados em qualquer idade”.
Jean-Bertrand Pontalis foi aluno de Sartre e Lacan, é um dos dissidentes da Sociedade Francesa de Psicanálise e, com seus 83 anos, ensina a todos o que o amor tem de bom, por ele nunca nos satisfaz totalmente. “As mulheres às vezes acreditam que podem ser plenamente satisfeitas. [...] Mas o amor, a sexualidade, sempre têm algo de inacabado. Freud diz ainda: existe na pulsão algo que resiste à satisfação plena. Não à satisfação, mas à satisfação completa”.
Mas, o pior, para o decano da psicanálise francesa, “é temer que tudo possa voltar a ser banal. Muitas vezes sinto esse desejo de deixar as coisas como estão , de ser casto. Por medo de que tudo desabe. [...] O amor cai sobre você, independente de qualquer projeto, de qualquer plano” conclui.
* Presidente do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM); Antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). contato: ncpamz@gmail.com
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Núcleo de Animação das Faculdades Integradas Barros Melo www.barrosmelo.edu.br/animation Direção: Plínio Uchôa e Marcos Bussini
Sinopse A animação "A Morte do Rei de Barro" ultiliza um dos principais símbolos da cultura nordestina, os bonecos de barro, animados com a técnica de stop-motion todo feito com fotos digitais. O filme animado conta a história de uma luta entre dois bandos rivais de cangaceiros.