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29/12/07

MIRATINGA

“POR QUE DEMOCRACIA?”

Trata-se de uma série de documentários internacionais empreendidos por cineastas de diversos países do mundo, resultando em dez filmes que examinam o exercício da democracia em países distantes uns dos outros como China, Libéria, Paquistão, Egito, Bolívia, EUA e Dinamarca. O enredo pauta-se, nos seguintes questionamentos: o que é a democracia? É um valor ou um Processo? Como ela funciona? Será, que por definição é a escolha certa para todos? A liberdade de imprensa é uma farsa ou realidade? e assim o debate se fundamenta nos fatos, promovendo discussão com os próprios atores políticos da trama.

Os documentários vêm sendo exibidos desde outubro passado em 42 países, contando com o apoio de múltiplas websites, com previsão de se alcançar pelo menos 300 milhões de espectadores. No Brasil, os filmes vem sendo apresentados pela FUTURA, todas às quartas-feiras, as 23h30, hora Brasília.

Os dez filmes da série são: “Campanha” (Kazuhiro Soda, Japão), “Charges Sangrentas” (Karsten Kjaer, Dinamarca), “Estamos Vigiando Você” (Leila Menjou e Sherief Elkatsha, Egito), “As Damas de Ferro da Libéria” (Daniel Junge e Siatta Scott Johnson, Libéria) “Patriotas” (Nino Kirtadze, Rússia), “Jantar com o Presidente” (Sabiha Sumar e Sachitanandam Sathanantan, Paquistão), “A Procura de Gandhi”(Lalit Vachani, Índia), “Taxe para o Lado Negro” (Alex Gibney, EUA), “Procurando pela Revolução” (Rodrigo Vazquez, Bolívia) e “Por favor, Vote em Mim” (Wijun Chen, China).


OS QUESTIONAMENTOS DO DIRETOR

Na quarta-feira (26/12), assistimos em Manaus, às 20h30, hora local, Charges Sangrentas, quando o diretor Karsten Kjaer provoca um conjunto de questionamentos centrado nas garantias de liberdade de imprensa, como natureza da democracia, sendo movido, segundo ele, pelas seguintes indagações: "Num mundo de imagens globais onipresentes, como foi possível que 12 charges de um profeta histórico publicadas num jornal, mergulhassem a Dinamarca em conflito violento com muçulmanos em todo o mundo? Ainda agora, depois de concluir meu filme 'Charges Sangrentas', estou tentando compreender plenamente esse choque de culturas”.

Ainda mais, pergunta o diretor : “Como os crentes e os iconoclastas do islã se protegem contra as imagens presentes em nosso mundo moderno? Todos eles usam Nokia, Microsoft e toda espécie de visões fotográficas, cinematográficas e a cabo, artifícios muito seculares e democráticos para se praticar a liberdade de expressão”.

Finalmente, “respeito à idéia de que algumas pessoas prefiram guardar em seus corações e mentes uma 'imagem' perfeita de seu profeta e Deus, que não deva ser poluída pela mídia e distorcida por infiéis. Mas essa é a religião deles - não a minha. Num mundo perfeito, todo mundo deveria poder alimentar seus dogmas religiosos reservadamente, sem obstruir minha liberdade de imaginar, ver e retratar tudo o que há de vivo e morto no universo. É esse o credo de Charges Sangrentas”, afirma o diretor.

Na próxima quarta-feira confira a programação da FUTURA e sinta-se participante da trama dos documentários, avaliando as práticas democráticas para o fortalecimento de uma cultura política participativa ordenada pela racionalidade do Direito.


PRECONCEITO E DISCRIMINAÇAO

De repente, seja por incontinência verbal ou por alienação, lemos na imprensa nacional manifestações de preconceito, discriminação contra os negros e índios do Brasil. Ainda recentemente (28/12), o articulista da Folha de S. Paulo, Nelson Motta, acometido do lusitanismo colonial, desandou a discriminar os povos indígenas em defesa da língua portuguesa “que tem sua dinâmica própria e se transforma a cada dia”. Seu posicionamento é contra um projeto de lei do deputado Aldo Rabelo (PC do B), que proíbe o uso público de palavras estrangeiras. Que seja isso ou aquilo, a discussão é pertinente, agora, qualificar a proposta do deputado como “pela pureza botocuda” é desconhecer a nossa história, é tripudiar com os povos indígenas. Não satisfeito, Nelson Motta, acometido da síndrome neocolonial concluiu sua “fita jornalística”, afirmando que: “se dependesse dos defensores da língua pura estaríamos falando tupi até hoje”. O desenvolvimento humano comprova que a ignorância não tem classe, devendo ser tolerada, jamais respeitada.


- Postado por: Comissão Editorial às 03h56 PM
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28/12/07

“PIRATARIA OU NOVO HÁBITO DE CONSUMO?"



O jornalista do Globo, Fernando Duarte, fez uma entrevista com o pai do Creative Commons, sistema alternativo de controle de copyright, discutindo ciberespaço, como liberdade de expressão na internet, sobretudo, focando, a defesa da democracia. Lawrence Lessig, escritor americano, cujo emprego principal é o de professor no Departamento de Direito da Universidade de Stanford, não apenas mantém os olhos abertos para as vicissitudes do mundo virtual como se pode conferir em suas obras tais como: “Código” (que em março do ano passado foi relançado com atualizações) e “Cultura Livre”, em que prevê uma reviravolta no caos democrático da grande rede. Nessa entrevista, o professor fala sobre “Code version 2.0” (que pode ser baixado em http://codev2.cc) e declara também, que esforço como os seus e de outros paladinos da internet, assim como o NCPAM, abrem os olhos do grande público para as discussões sobre os novos hábitos de consumo, contrariando dessa feita, os interesses da grande indústria.


GLOBO: Oito anos depois do lançamento da primeira versão de “Código”, como o senhor observa o ciberespaço? Ainda vivemos uma espécie de cerceamento virtual?

Lawrence Lessig: Por incrível que pareça, estou mais otimista hoje em dia, não apenas porque há mais empreendedores, empresas e organizações engajadas nos debates em defesa da democracia e da liberdade de expressão na internet. O público em geral tem se mostrado mais interessado no assunto e nas ramificações que as legislações e transformações na tecnologia podem ter na vida cotidiana. Mas o campo ainda está bastante aberto no que diz respeito ao estado das coisas.

GLOBO: Um dos pontos mais abordados em seus livros é o fato de que ações de governos e advogados estão mais centradas no combate às novas tecnologias que o seu mau uso. Inovações continuam sob ameaça no mundo virtual?

Lawrence Lessig: A ameaça de uma ação legal jamais sepultará uma tecnologia, mas sim impedirá seu uso legítimo privando empresas e organizações de uma situação em que atividades podem ser realizadas com mais eficiência para ambos os lados. Sem falar que limitar o uso de uma tecnologia não vai acabar com a pirataria. Sites como o Napster (um dos mais conhecidos pontos de distribuição ilegal de arquivos) foram fechados, mas nem por isso as violações de copyright arrefeceram.

GLOBO: O foco, porém, está sendo mudado para o usuário, como fica provado pelos recentes processos nos EUA, certo?

Lawrence Lessig: Processar uma dona de casa que baixa música da internet não é a solução para o problema da pirataria em lugar algum do mundo. No caso mais específico da indústria fonográfica, há pelo menos 10 anos um mundo de gente vem dizendo que era preciso pensar em métodos alternativos de geração de receita, pois a mera venda de CDs estava ameaçada não apenas pela pirataria, mas pela mudança nos hábitos de consumo. Infelizmente, a indústria preferiu pensar de maneira diferente. Só não vejo como o ato de processar donas-de-casa poderá ganhar suporte público para a causa antipirataria. Toda lei precisa do suporte do povo para vingar.

Globo: Mas não acaba soando como defesa da pirataria?

Lawrence Lessig: As pessoas confundem as coisas. Nunca endossei a pirataria, seja ela profissional ou amadora, mas acredito que o assunto não deveria ocupar papel prioritário nas agendas governamentais. Recursos públicos deveriam ser usados para causas mais importantes como o combate à corrupção, por exemplo.

GLOBO: Como pai do Creative Commons, o sistema alternativo de controle de copyright, o senhor ainda vê o projeto como algo viável em longo prazo?
Lawrence Lessig : O Creative Commons é perfeitamente sustentável em longo prazo se houver mudanças na legislação de propriedade intelectual, que tem se tornado cada vez mais draconiana. Mas o projeto já se mostrou válido, tanto que tem registrado um número maior de participantes. Mas precisará de um campo de jogo justo.

GLOBO: E a questão dos programas gratuitos ou de código aberto?

Lawrence Lessig: Também há esperanças. Nos últimos cinco anos, muito mais gente passou a usá-los e programas deste tipo estão se transformando numa alternativa mais vibrante e até mais importante que os grandes projetos comerciais. Minha preocupação é com a “ecologia” da internet no futuro, num momento em que vários estudos apontam para um aumento de concentração de poder econômico no cyberespaço. Vejo os programas gratuitos e de código aberto como algo mais tentador para os mercados em desenvolvimento.

GLOBO: Como o Brasil?

Lawrence Lessig: Sim, pois a grande característica desses projetos é capacitar gente a entender de informática e não simplesmente operarem cada vez mais novo software da Microsoft. Por isso fiz questão de incluir em meus livros o desejo do governo Lula de investir em programa alternativos. É importante que países em desenvolvimento tenham um leque de opções nesse sentido.

GLOBO: Mas há quem defenda que o poder econômico da Microsoft é grande demais para o desenvolvimento real de alternativas…

Lawrence Lessig: Tal poder é menor do que as pessoas imaginam e hoje se deve muito mais ao marketing. Porém, há um amplo campo para o desenvolvimento de iniciativas paralelas. Volto a lembrar que o cenário hoje é muito mais diversificado que há cinco anos. Só acho inocente quando alguém imagina o mundo inteiro deixando de usar Windows para trabalhar com o Linux, por exemplo.

GLOBO: Sua campanha pela democratização do cyberespaço sofreu alguns percalços como derrotas em casos judiciais contra a lei de copyright nos EUA. Você teme o efeito junto ao público?

Lawrence Lessig : Tribunais e governos sempre estarão sujeitos a lobbies, daí acreditar que a grande missão é trabalhar junto ao público geral. Dei mais de 500 palestras nos últimos cinco anos e há outros acadêmicos empenhados nessa luta. Convencer o cidadão que vota e pode botar pressão sobre as autoridades tornou-se muito mais importante.


- Postado por: Comissão Editorial às 07h29 PM
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24/12/07

ESTOLA DE NATAL

 

Aníbal Beça

Palavra por que me persegues?

Por que insistes com a cunha de tua língua

chanfrar em leves lascas o doce verbo amargo?

 

Palavra por que me atormentas?

 

Por que adoças minhas velhas oiças

com promessas vivas de falidas falas?

(Os shoppings estão cheios de perdoados

assépticos do ano inteiro)

Palavra por que me fazes chorar?

Por que derramas o mel da esperança

se as moscas varejeiras ainda hão de voejar?

 

Ah, Palavra, triste é saber

que Papai Noel é da melhoridade

         não usa mais renas

no entanto usa sua carteirinha

para viajar de graça no bus circular

          que as árvores não se reciclam

que não há Natal para as árvores

dos moradores de rua

                             catadores de lixo.

 

(Ainda bem que Joãoz(s)inho Trinta não mora aqui)

 

Ah, Palavra, mesmo assim

é preciso piscar com os teus olhos

para nos enlevar no sonho das luzinhas

da árvore da utopia

                                   esta

                                            sim

                                que não conjuga o verbo da hora reciclável

                                mas nos abriga no macio de suas folhas

iluminando com seu brilho verde

o nascimento do justo ser humano

                                                          que há de vir


- Postado por: Comissão Editorial às 02h26 PM
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23/12/07

www.zegeraldo.free.fr

Quadro: José Geraldo Martins - www.zegeraldo.free.fr

Nunca é tarde para lembrar que a liturgia natalina celebra o nascimento de Cristo, o filho de Deus, que se fez homem para redimir as nações do pecado, da injustiça, da exclusão social, das guerras, enfim da maldade do mundo. O projeto de Deus é cristocêntrico, convergindo para comunhão dos homens numa diversidade de manifestações culturais, como bem documenta os Atos dos Apóstolos quanto à prática dos primeiros cristãos, que partilhavam o pão e afeto, em combate à desigualdade, como valor da vida comunal.

O NCPAM constituído por seus pesquisadores quer compartilhar com todos os seus parceiros, amigos e colaboradores, a alegria do natal. Momento oportuno para repensar as práticas e quem sabe, construir novos projetos, agregando valor imaterial que possa dignificar ainda mais os homens no curso de sua história.
A prosperidade deva ser almejada por todos, não só como meta, mas, como propósito convertido em potência subjetiva capaz de convencer a todos da importância do feito, mobilizando homens, mulheres, jovens e crianças para a sustentabilidade do devir da Justiça comungada com a solidariedade, em harmonia com o verde do planeta.

BEM-AVENTURADOS...


FELIZ NATAL E PROSPERIDADE PARA TODOS!!!


- Postado por: Comissão Editorial às 12h52 PM
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