19/1/08
DIÁRIO DE CAMPO
 Foto: Ademir Ramos
Ademir Ramos*
Em Santa Izabel do Rio Negro, a noroeste do Amazonas, antiga Tapuruquara, encontrei os ex-alunos de Ciências Sociais da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), de São Gabriel da Cachoeira, que em 2001 defenderam suas monografias e promoveram uma bela festa de formatura naquele município.
Meu primeiro contato se deu com o professor Eliomar Mário Fontes Rodrigues, com 58 anos, professor aposentados, que continua trabalhando ativamente na extração de açaí e outros produtos regionais. Na oportunidade, marcamos um banquete para o sábado (12/01/08), com propósito de celebrar o nosso encontro e confraternizarmos com os demais colegas de curso – Manoel Batista Cordovil, Erlindo Dias Gonçalves, João Batista Lopes, Leôncio dos Santos Bezerra e Ana Cecília Garcia Marinho.
Às 12 horas, o professor Eliomar passou no CETAM (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas), aonde vem sendo realizado às orientações aos alunos da UEA (Universidade Estadual do Amazonas) e em seguida passamos em sua casa para que ele deixasse o almoço de sua esposa, que estava se recuperando de malária. Da mesma forma, três alunos da UEA estão ausentes das aulas por causa da malária.
Em seguida fomos ao sítio do professor Eliomar, nos arredores da cidade, para nos banquetearmos com um ensopado (escabeche) de tucunaré; tucunaré, jaraqui e aracu fritos, mais uma calderada de tucunaré; salada de verdura e o fruto do mapaty ou como se chama por aqui cucura – Língua Geral (fui até a árvore para registrar a forma, que é parecida com um pé de imbaúba, localizando o fruto em sua copa). O sítio do professor, que é margeado pelo Igarapé Dará é um lugar aprazível e muito bonito. Dos convidados, não compareceram o Leôncio e nem a Ana Rita, por motivo de viajem.
No sítio conhecemos as filhas e a mãe do Eliomar, esposa do senhor João Hélio, Dona Laci, que nos contou o cotidiano de uma seringueira. No momento, também fui apresentado ao Senhor Secretário de Educação do Município, professor Aloísio Oliveira de Souza, com quem discuti a possibilidade de se implantar em Santa Izabel um centro de estudos da Língua Geral ou pelo menos inserir na grade curricular local. Pois, como ele mesmo disse “falo pouco mais compreendo tudo”.
O professor Aloísio Oliveira lembrou ainda, que certa vez, em uma das comunidades rurais, onde ele passou às pressas, prometendo voltar em breve, os comunitários falavam entre si na Língua Geral que era mentira, a promessa que estava fazendo.
Depois dessa conversa preliminar ficamos de nos encontrar para aprofundar a temática da Língua Geral. Pelas 17 h batemos em retirada do sítio, temendo o mosquito da malária.
No dia seguinte (13/01) domingo, quando desci do terceiro andar do hotel Maikon junto com as professores Esteli Pinto e Maria de Jesus para tomar café na rua da frente, no restaurante da Dona Lica, fui informado que a professora Esteli havia passado mal e por isso estava no hospital, onde passou a tomar soro. Então depois do Café fomos visitar a colega no hospital, que agrega o complexo da cristandade construída pela missão salesiana nos idos de 1950 – internato das meninas construídos em 1950, no centro a Igreja matriz (atualmente com uma forma moderna), que tem como padroeira Santa Izabel e de outro lado – construído depois 50/51, o internato dos meninos. O Internado das meninas encontra-se bem conservado enquanto dos meninos requer obras de conservação.
Às 9h voltei ao hotel para concluir um texto que gostaria de enviar para publicação no blog do NCPAM, o que não consegui por falta de acesso a internet. Então passamos – eu e Maria de Jesus - na Casa do professor Eliomar, onde passamos à chuva e em seguida fomos convidados a almoçar. Foi quando a Maria de Jesus foi até o restaurante buscar a nossa alimentação, inclusive, a sopa de verduras que havia solicitada para a professora Esteli, que havia tido alta do hospital pelas 11h30.
Antecedeu o almoço uma longa conversa com a Dona Laci, mãe do Eliomar, que nos informou sobre o trabalho nas estradas de seringa. Falou que no passado saía para trabalhar às 4h da manhã, percorrendo duas estradas e retornava lá pelas 4 ou 5 horas da tarde. O látex era transportado em baldes para a manufatura em “bolão” e/ou pelas.
Na informação, que Dona Laci nos passou ela nos disse que os fornecedores/aviadores passaram a exigir a borracha em prancha com tamanhos diferenciados. Para isso, recorriam ao tucupi para qualhar o látex (outra informação dá conta que usavam o suco de limão) e, em seguida, prensavam no tamanho que quisessem. Além disso, forneciam também o próprio látex em tonéis, que comportavam 11 latas de querosene. Sendo que para não qualhar o látex, usam em cada lata de querosene 1 (um litro) de amoníaco. E assim faziam a exportação para os grandes centros industriais do mundo.
Dona Laci, com seus 80 anos, fala desse tempo com saudade e declara que a única doença que se pegava nessa época era a malária.
Sobre as diversas Ilhas no município, dona Laci nos falou de uma chamada Macu, na qual os índios atravessaram numa balsa de madeira e morreram afogados e foram parar na praia dezena deles, então “nossos primos fizeram uma grande fogueira para queimar os corpos. E o cheiro se espalhava por todo o canto”.
Depois dessas informações fomos almoçar, os pratos eram os mais variados – porco do mato (cozido com maxixe) como salientava Dona Laci; outro prato muito bem festejado era a kinhap’ira – uma calderada de jaraqui e sardinha com um pouco de tucupi e pimenta verde para temperar bem – arroz, branco, feijão, macarrão, carne e frango que buscamos no restaurante da Dona Lica.
Após o almoço, apresentei à Dona Laci e ao professor Eliomar um DVD sobre Manaus Antiga, baseado na dissertação do professor da UFAM, Otoni Mesquita, mostrando as transformações que Manaus sofreu com a exploração dos seringais. Contudo, a todos que perguntei sobre a potencialidade da Borracha no Rio Negro, todos são unânimes em garantir que os seringais estão prontos para produzir e hoje muito mais ainda porque as árvores estão todas saradas.
Em tempo, Dona Laci lembra que um dos regatões de quem comprava a borracha era o seu Antônio Amorim (?), que pagava não só com dinheiro, mas, também com mercadoria, mandando escolher o que bem queria. Nessa hora, Dona Laci mostra uma espingarda 22 – pesada – que ela diz utilizar para abater os animais da floresta para alimentar seus filhos. Perguntado quanto custaria uma espingarda daquela, o filho Eliomar disse que foi trocada por um couro de ariranha... ”o meu marido matava muita ariranha”, afirma Dona Laci.
Outro depoimento marcante de Dona Laci foi quando se referia à educação dos filhos. Ela nos disse que demorava seis horas de viagem descendo o rio a remo para vir até a sede do município para matricular os filhos, e na volta, subia o rio numa média de 12 horas, “agora tudo está mais fácil. Eu vou pra lá de rabeta, de motor de centro... acho é rápido”.
* É coordenador Geral do NCPAM, antropólogo e professor da UFAM. Contato: ncpamz@gmail.com
AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.
- Postado por: Comissão Editorial às 01h25 PM
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17/1/08
NOSSOS PÊSAMES
 Aluna: Jaranda Oliveira Chagas
O NCPAM lamenta profundamente as perdas do Prof.Dr. Valmir de Souza Oliveira e da estudante finalista Jaranda Oliveira Chagas, ambos do curso de Engenharia Florestal da Ufam.
O acidente trágico ocorreu na tarde de ontem 16/01 na estrada AM-010 próximo da cidade de Itacoatiara, onde o ônibus da própria instituição transportava 45 pessoas. A causa do acidente foi decorrente da imprudência do motorista, e principalmente do descaso da própria universidade de permitir o tráfego do veículo em condição irregular, como bem sabem os discentes das precárias qualidades de segurança do transporte.
Outros estudantes apenas foram feridos e alguns estão em observação.
- Postado por: Comissão Editorial às 04h24 PM
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15/1/08
FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS
 Foto: Ademir Ramos
A Universidade Estadual do Amazonas (UEA), por meio do PROFORMAR, vem promovendo a graduação dos professores em todo o estado do Amazonas através do Curso Normal Superior. Em 2008, devem-se graduar, aproximadamente, mais 8 mil novos professores, entre eles indígenas de etnias diferenciadas. No término do curso em março, os professores formandos deverão apresentar uma monografia, condensando suas análises sobre a temática local.
Atento a esse processo, a coordenação do PROFORMAR II contratou especialistas para junto com os professores assistentes, que atuam nos pólos de formação no município, orientar os indígenas quanto à elaboração de sua monografia de curso. Os municípios contemplados foram aqueles que possuem a maior densidade populacional indígena, tais como: Tabatinga, Santa Izabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.
Em Santa Izabel do Rio Negro, o professor e antropólogo Ademir Ramos integrou-se a equipe local formada pelas professoras Esteli Pinto e Maria de Jesus Nascimento Machado. A presença do antropólogo em Santa Izabel iniciou-se no dia 11, prolongando-se até o dia 22 de janeiro, quando retorna a Manaus para os preparativos das aulas de Educação Indígenas pela TV/UEA, como uma das disciplinas do Curso Normal Superior. Contudo, o trabalho de orientação continua sendo feito pelas professoras assistentes desse pólo de formação da UEA.
O município de Santa Izabel, antigo Tapuruquara, situa-se à margem esquerda do Rio negro, a 631 km de Manaus, a noroeste do Amazonas, com uma população de 16 mil habitantes. Na região destaca-se a presença dos povos indígenas, sobretudo uma grande população de falante da Língua Geral Amazônica também definida como Nheengatu, vivendo e morando na sede do município, que é considerado na literatura etnológica, como a capital da Língua Geral da Amazônia.
A Língua Geral no Rio negro, segundo o professor Ademir Ramos, “foi e continua sendo falada por índios e não índios, como língua franca, mediando interesses e valores. No passado, tanto os missionários como os comerciantes dos regatões recorriam a Língua para a consecução dos seus ofícios. No presente, a Língua Geral também se transformou em ícone identitário dos Baniwa, Baré, Tariano e outros que por razões históricas perderam a língua materna e se apropriaram da Geral para afirmarem suas identidades étnicas, reivindicando direito sobre seus territórios tradicionais e as garantias de acesso às políticas públicas”.
Os graduandos do Curso Normal Superior, em Santa Izabel, somam um total de 70 alunos e todos falam a Língua Geral, quando não falam entendem por força da tradição cultural. Nesse ultimo módulo, os formandos estão inteiramente envolvidos na elaboração do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC), que compreende o Memorial Técnico, Diagnóstico da Escola e a Monografia. Do mesmo modo, os demais alunos de outros municípios também estão empenhados no mesmo dever acadêmico.
As monografias em orientação no pólo de Santa Izabel analisam temas diversificados, tais como: Educação indígena, Bilingüismo, Etnomatémática, Práticas de leitura, Arte e Educação, Práticas pedagógicas, Questão Ambiental, Saúde e Educação, Comunidade e Escola. No momento, a equipe local do PROFORMAR II centra seus esforços na orientação metodológica e na redação final da monografia, seguindo todo rigor das normas acadêmicas.
A equipe da UEA, junto com os formandos, analisou o Memorial e o Diagnóstico da Escola, dedicando tempo integral a redação, análise e formatação das monografias dos professores graduandos. Nesse curso das práticas pedagógicas vem se discutindo o recorte do objeto a ser analisado, a revisão bibliográfica e a interpretação dos resultados de suas pesquisas, motivam os alunos a escreverem, sistematicamente, o trabalho final de curso.
Nos primeiros dias de orientação, em Santa Izabel, conforme o professor Ademir Ramos, pode-se ver progresso nas ações, quando “confere-se os esforços dos alunos em desenvolver suas análises, confrontando as idéias em discussões temáticas e de forma solidária, discutindo entre si e compartilhando fontes bibliográficas trazidas de casas em caixa de papel para consultas em sala de aula. E se esse ânimo continuar, temos certeza, que a missão foi cumprida e todos sentirão o sabor da vitória”.
- Postado por: Comissão Editorial às 01h26 AM
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13/1/08
A AMAZÔNIA SEMPRE FOI MODERNA

“Formular um conceito amazônico de serviços ambientais, e planejar Manaus como cidade mundial para organizá-los, é uma iniciativa urgente”.
* Bertha K. Becker
Aquecimento global e negociações sobre o Protocolo de Kioto trazem novamente à baila a politização da questão ambiental com foco na Amazônia brasileira. Duas faces da mesma moeda ressaltam a responsabilidade da região: grande emissora de carbono ou grande potencial para salvar o planeta. Sob essa retórica, retoma-se num patamar mais ameaçador a idéia de seu destino como região a ser preservada.
Difunde-se a imagem da Amazônia como extremamente frágil e problemática quanto às possibilidades de sua utilização, contribuindo para imobilizar decisões e ações e para obscurecer a significância do seu imenso patrimônio natural e cultural.
Não se pretende entrar no mérito do relatório do International Panel of Climatic Change e dos desacertos em Bali, o que se deseja aqui é introduzir uma outra imagem, positiva, da Amazônia, sob a ótica regional e nacional.
Cabe ao Brasil enfrentar o desafio de conter o desflorestamento. É preciso inovar, com um modelo capaz de utilizar adequadamente esse patrimônio, gerar riqueza e trabalho para as populações, e alicerçar seu futuro e o do Brasil e demais países amazônicos.
Há condições para desenvolver uma estratégia com esse objetivo. De início, escapando do falso dilema entre preservação e desenvolvimento destrutivo, que não admite alternativas. A seguir, recorrendo às características específicas e à história da região.
Contrariando Bruno Latour — jamais fomos modernos — a Amazônia é uma região acostumada com a modernidade e bem mais senhora de um perfil civilizatório do que o imaginário internacional faz crer, afirma Marcio de Souza.
Com efeito, a região foi ocupada e povoada em surtos associados às grandes inovações da economia-mundo: navegação marítima/drogas do sertão, revolução energética/borracha, tecnologias nacionais de infra-estrutura/expansão da fronteira agropecuária.
É verdade que tal modernidade calcada na extração de recursos naturais pouco beneficiou a região. A exclusão social foi constante e permanece até hoje.
Hoje, deve-se reconhecer que a magnitude e a sensibilidade do patrimônio natural e cultural da Amazônia exigem uma estratégia que combine high tech com inclusão social. Não foi ainda introjetada no imaginário social e nas políticas públicas a mais recente e mais poderosa inovação da economia-mundo: a revolução científico-tecnológica na informação e microeletrônica que, como revela Castells, não se resume a uma nova técnica, mas é uma nova forma de produção que afeta todas as relações sociais e de poder. Revolução científicotecnológica a ser utilizada não mais para extrair e exportar recursos, mas para valorizá-los em benefício da região de forma decisiva.
Alguns componentes da estratégia proposta podem ser sugeridos. Ciência, tecnologia e inovação, articuladas à educação, têm papel crucial na definição de um novo paradigma capaz de utilizar sem destruir o patrimônio regional. Somente atribuindo valor econômico à floresta em pé poderá ela competir com as commodities e não ser derrubada. A identificação de produtos a serem organizados em cadeias produtivas até o seu beneficiamento final, sem destruir a natureza, é essencial tanto em áreas florestais como naquelas já alteradas onde há amplas possibilidades.
Produzir para conservar, excetuadas as áreas de preservação, é um lema essencial para a região.
A valoração dos serviços ambientais é prioritária. Serviços de alto valor agregado para produtores baseados na informação e no conhecimento, e suas redes, são considerados na literatura científica recente como a inovação fundamental para o desenvolvimento, e geram uma rede de cidades mundiais que comandam o processo de globalização.
Os serviços ambientais prestados pela floresta amazônica são singulares, de afirmação da vida em si, e não diretamente para produtores. Trocas de créditos de carbono localizadas não consideram os serviços que estão sendo continuamente prestados pela massa florestal sul-americana.
Formular um conceito amazônico de serviços ambientais, e planejar Manaus como cidade mundial para organizá-los, é uma iniciativa urgente.
Mudanças institucionais são condição da estratégia. Desde a ampliação dos recursos humanos em CT&I, à articulação das políticas públicas e projetos, à criação de institutos técnicos para formação de empreendedores e criação de universidades e laboratórios da floresta, à solução da questão fundiária.
Os conflitos sociais na Amazônia derivam da disputa pela apropriação da terra. No entanto, no contexto das transformações introduzidas para revolução científico-tecnológica, não é mais a propriedade da terra que garante o desenvolvimento, mas sim o acesso a outras condições de produção, tais como a informação, a capacidade de gestão, o crédito, o sistema de comercialização.
A evidência empírica na Amazônia atesta essa afirmativa com as dificuldades dos projetos de assentamento e de produtores familiares em geral. Em nível teórico, trata-se do monopólio histórico do acesso ao mercado que necessita ser rompido, e para tanto a organização de cadeias produtivas podem muito contribuir.
É no território que a estratégia se concretiza ressaltando o papel das infovias e das cidades no ordenamento do território.
Se, historicamente, as cidades surgiram para sustentar a ocupação e a exploração dos recursos regionais, hoje cabe a elas antecipar o novo modelo de desenvolvimento: 70% da população da Região Norte vivem em núcleos urbanos (Censo 2000); as cidades concentram a informação e o conhecimento, prestam serviços básicos para uma população deles extremamente carente, e serviços para as cadeias produtivas.
Conectadas pelas infovias, as cidades devem comandar uma estrutura produtiva em rede que, ao contrário da produção extensiva, contígua, assegura a manutenção de extensões florestais entre elas.
Por sua vez, como nós de infovias e das redes de produção e de relações sociais, as cidades são o relay de sub-regiões que organizam a vida socioeconômica e política da Amazônia.
Essas são algumas reflexões que se propõem para um diálogo em favor da Amazônia.
* É geógrafa e pesquisadora da UFRJ. O artigo publicado em "O Globo" no dia 16/12/07
AVISO: O artigo publicado com assinatura é de responsabilidade exclusiva de seu autor.
- Postado por: Comissão Editorial às 09h26 PM
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