9/2/08
PUBLICAÇÃO DA UEA SOBRE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e
te pergunta, sem interesse pela resposta pobre ou terrível,
que lhe deres: Trouxeste a chave?
Carlos Drummond de Andrade.
* Ademir Ramos
A pergunta que o poeta nos faz pode ser traduzida em forma de convite, que estendemos a todos os participantes do curso. Convite à leitura, à discussão, à interpretação e à compreensão da política de Educação Indígena no Brasil. O caminho a ser feito terá como referência a contemplação das palavras, deixando-se mover por elas enquanto discussão, signo, conceito e representação do mundo, com objetivo de compreender o significado das coisas em seu contexto determinado.
Esse é o objetivo que pretendemos alcançar, Para tanto, é necessário que se promova a leitura dos textos, o que implica sempre o ato de ler as palavras no mundo e o mundo das palavras como um fenômeno de comunicação. O ato de estudar requer que tenhamos a chave para iniciarmos o processo de ensino-aprendizagem, transformando a discussão em conceito, o signo em significado e o discurso em ação, a fim de que possamos compreender a realidade em estudo com autonomia e determinação intelectual.
Isso só será possível se avaliarmos a nossa própria prática de ensino, situando-se frente aos desafios que a vida nos apresenta, não como objeto isolado, mas como sujeito detentor da chave do conhecimento e, por isso, apto a relacionar-se com o seu semelhante para edificar uma cultura da solidariedade, que seja promotora da justiça social.
Movidos por essas reflexões teórico-metodológicas é que organizamos o curso de Educação Indígena, sistematizado em quatro capítulos específicos e autônomos. No entanto, para garantir uma unidade de significado, seguimos alguns princípios nucleares, tais como: contextualização histórica; a luta dos povos indígenas como afirmação de seus direitos; a diversidade cultural como fundamento da pluralidade democrática; a biodiversidade como fenômeno da natureza, bem como produto das relações culturais; a interculturalidade como prática no contexto da diversidade cultural e a educação como processo de socialização do saber, do conhecimento e da ciência.
A originalidade da obra caracteriza-se pelos procedimentos metodológicos obedecidos na investigação da temática em estudo, resultando numa súmula instrumental para a compreensão da Educação Escolar Indígena numa perspectiva de políticas públicas. A nova escola indígena requer a participação das comunidades na elaboração e na implantação do seu projeto político-pedagógico, sendo amparada pela Constituição Federal e por legislações complementares. Requer, sobretudo, o compromisso dos governantes na efetiva implantação desta escola como instrumento motor do etnodesenvolvimento.
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Da editoria
O texto referenciado faz parte da Apresentação da obra, publicado em forma de brochura, em 2005. Para nova edição, em 2007, o coordenador do curso, professor e antropólogo Ademir Ramos, manteve a mesma Apresentação, inserindo no corpo do trabalho uma introdução densa para dar mais atualidade à publicação, dessa vez em formato de livro, com uma tiragem de 8 mil exemplares, 175p, sob o número 978-85-89453-77-6 da Agência Brasileira do ISBN. São co-autores da obra Márcia Maria Nunes Montenegro, Marcos Antônio Braga de Freitas, Maria Leonor de Almeida Ramos e Suely da Silva Rocha. Para outras informações UEA edições: (92) 3214-5773 – editorauea@uea.edu.br
- Postado por: Comissão Editorial às 02h53 PM
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7/2/08
RESPONSABILIDADE EMPREENDEDORA

* Jorge Gerdau Hohannpeter
Da Editoria
A burguesia brasileira, como bem definia Florestan Fernandes, “combinando poupança e avidez de lucro à propensão de converter a acumulação de riqueza em fonte de independência e de poder” por meio de inovação tecnológica e de gestão empreendedora, ainda resiste em alinhar-se às políticas do capitalismo mundial. Para isso, a manifestação do empresário Jorge Gerdau, publicada pela Folha de S. Paulo (3/2), é sem dúvida um chamamento à corporação burguesa nacional a assumir responsabilidade quanto ao desenvolvimento sustentável e a inclusão social, construindo um “novo modelo de gestão” definindo como “novas oportunidades de negócio e em uma maior participação no desenvolvimento da sociedade”. Gerdau convoca os empresários a refletirem “sobre sua cadeia produtiva”, agregando valor e formando consumidores como parte da “cadeia de valor”. Na mesma página da Folha (dinheiro B3), onde foi publicado o artigo, encontra-se uma entrevista do presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, que informa a monstruosa acumulação de capital e por conseqüência a perversa desigualdade vivida no Brasil. Para o presidente do Bradesco, “o mais importante do que o lucro (dos bancos) é analisar a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (do Bradesco) está em R$ 30 bilhões e apresentamos um resultado de R$ 8 bilhões no ano passado. Estamos falando de 29%, 30% de retorno sobre o patrimônio. As indústrias estão ganhando muito mais em rentabilidade. As empresas de vários setores como siderurgia, cosmético, petróleo, todas têm tido retorno sobre o patrimônio maior que os bancos”. Então, o que dizer sobre a “boa cidadania corporativa” quanto ao desenvolvimento sustentável, sobretudo, em relação ao Pólo Industrial de Manaus, com um faturamento de US$ 24,5 bilhões no ano de 2007.
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Agir de forma socialmente responsável é uma prática consolidada no mundo empresarial. Porém o desafio que hoje se apresenta é o de avançar nessa prática em todos os relacionamentos de uma empresa, visando maior desenvolvimento sustentável e inclusão social. Para tanto, não basta apenas realizar ações filantrópicas, focadas na maioria das vezes no apoio às comunidades da empresa. Necessitamos ir além.
A construção de uma atuação social mais empreendedora passa por um novo modelo de gestão, que internalize o tema em todos os processos de uma organização, permitindo que ela avance em novas oportunidades de negócio e em uma maior participação no desenvolvimento da sociedade. O resultado é um ciclo virtuoso gerador de crescimento, sempre tendo como base o compromisso com o desenvolvimento sustentável.
Para exemplificar, destaco iniciativas na área de microcrédito como sendo uma maneira eficaz de fornecer recursos a pessoas carentes que, de outra forma, não poderiam obter um financiamento.
Um dos pioneiros nessa área foi o economista Muhammad Yunus, que criou em Bangladesh o Grameen Bank, em 1976. O objetivo era oferecer crédito barato à população - na época, o PIB per capita era de US$ 370. Em dezembro de 2007, o banco somava 7,4 milhões de clientes e cobria mais de 94% do território do país. O Grameen Bank ajudou a combater a pobreza no país e colaborou com a implantação de um sistema sustentável de aumento da demanda. Ao final de 2007, o PIB per capita do país chegou a US$ 1.700. Não por acaso, Yunus recebeu o prêmio Novel da Paz em 2006.
No Brasil, embora já existam programas de microcrédito, o potencial é ainda pouco explorado. Apenas 3,6% dos microempresários que poderiam utilizar esse tipo de financiamento o fazem atualmente. Dados da Fundação Getulio Vargas mostram que os benefícios do sistema são claros: os empreendedores que tiveram acesso ao microcrédito cresceram 101% no lucro líquido num período de 24 meses; já aqueles fora do sistema registraram aumento de cerca de 30%.
Ainda um outro exemplo, agora na integração da responsabilidade social com os funcionários, são os importantes resultados que o trabalho voluntário organizado traz para os indivíduos e toda a sociedade.
Iniciativas como essas demonstram que a responsabilidade social corporativa pode e deve ser empreendedora. É importante que cada empresário, ao avaliar o alcance de seus negócios, reflita, especialmente, sobre a sua cadeia produtiva, tanto na área de suprimentos como na área de vendas, encontre possibilidades de crescimento de mercado com uma visão de inclusão. Essa atitude é positiva para todos, pois amplia as chances de expansão do negócio e inclui no circuito econômico pessoas que não fazem parte das cadeias de valor. Com medidas dessa natureza construiremos um sistema mais justo e sustentável.
* É presidente do conselho de administração do grupo Gerdau, presidente e fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e coordenador da Ação Empresarial.
- Postado por: Comissão Editorial às 02h52 PM
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5/2/08
CONFERÊNCIA DE JUVENTUDE DA TRÍPLICE FRONTEIRA

Foto: Manoel Moura
Em janeiro, nos dias 26 e 27 realizou-se em Tabatinga, no Estado do Amazonas, na região do alto Solimões, a I Conferência Livre de Juventude dos Povos da Fronteira, suas manifestações convergiram para o Dia de Mobilização Global do Fórum Social Mundial. A Conferência foi organizada pelo Ponto de Cultura “Amigas Guerreiras” em parceria com outras entidades, como o Instituto Paulo Freire, a Prefeitura local, a Secretaria Nacional de Juventude, entre outras.
Em destaque, a garra da Juventude dos Povos da Fronteira, índios e não índios, que mesmo enganados por algumas prefeituras municipais, fizeram questão de participar, manifestando sua coragem, bem como determinação de lutar por um mundo melhor e por uma cidadania solidária e intercultural.
A abertura da I Conferência da Juventude se deu na Escola Marechal Rondon, em Tabatinga, com a participação de representação parlamentar do Brasil e da Colômbia. Desse País vizinho vieram jovens indígenas em comitiva, mais autoridades de Iquitos, centro histórico da Amazônia Peruana. Registrou-se ainda, a presença de mais de 50 jovens de Belém do Solimões e do Umariaçu, das terras indígenas do município de Tabatinga, somando um total de aproximadamente 200 guerreiros jovens da Tríplice Fronteira – Brasil, Colômbia e Peru.
Para o representante da ONG – Opção Brasil -Marcos Júlio Aguiar, que nesse evento representava também a Conferência Nacional de Juventude, o desafio era “dizer para aqueles e aquelas jovens, que eles (as) – mesmo estando distantes de muita coisa (só se chega lá de vôo de Manaus - 3h30 de viagem) ou de barco (seis dias) – têm direito a voz e que a juventude tem de ser ouvida e para isso devem se reunir para colocar quais são os seus desafios. Em especial da juventude indígena, que é muito pouco trabalhada em nosso país”.
Esta foi a minha primeira viagem ao Amazonas, declarou Marcos Aguiar, que trabalha há 10 anos com indígenas na cidade de São Paulo. “Em apenas três dias em que fiquei neste estado (Amazonas) posso dizer que foi um momento impar em toda a minha caminhada indigenista. E saí de lá com ótimas impressões: um povo carinhoso, uma diversidade cultural e espiritual incrível e um anseio por uma vida melhor, impressionante. Eu, ao invés de ensinar, aprendi muito com essa gente, este povo. Seja pela comida, pelas falas, pelo jeito de ver a vida, que é muito diferente de São Paulo. Isto é juventude e isto tem de ser Brasil. Porque lá eles (as) também têm direitos e são filhos (as) desta terra”, afirmou o militante.
O grito dessa juventude será levado a Brasília, onde se realizará a I Conferência Nacional de Juventude, de 27 a 30 de abril, reunidos num fórum de discussão para se definir uma Agenda Nacional que mobilize as lideranças sociais, parlamentares, governantes e formuladores de políticas públicas, em cumprimento à Agenda da Juventude, promovendo inclusão e justiça social, com pouco papo e muita ação.
- Postado por: Comissão Editorial às 12h19 PM
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3/2/08
MIRANTE DO COTIDIANO
 Foto: Ademir Ramos
Em transe na folia de momo, os brasileiros brincam de rei e rainha, construindo castelos e destruindo ilusões, movidos pela paixão do carnaval, vislumbrando cores mil no caleidoscópio do cotidiano, onde tudo é permitido até mesmo sonhar com o novo Brasil no curso da história. Nessa perspectiva, somos o que não somos e talvez a alegria seja reduzida ao “amor de carnaval” que finda na terça-feira.
Pouco interessa o que somos, o mais importante no carnaval como na vida é presenciar o espetáculo, é viver intensamente o gratuito como dádiva ou conquista capaz de celebrar alegria e tristeza no diapasão do vivido. É o que nos comove que nos mobiliza para encontro e desencontro, transformando o passivo em sujeito de suas representações capaz de amar e lutar pela validação do querer.
“Ah! Não gosto de carnaval, sou introspectivo opto pela contemplação”. Seja o que for, a natureza e a objetividade das coisas se impõe, exigindo de nós coragem e determinação para superar os entraves ou viver cantando o mesmo lamento como Zé molambo, a esperar piedade dos homens de boa vontade. Acorda Zé, tu és um homem, não um cogumelo, e como sujeito deve construir o teu projeto, percorrendo o caminho da política cidadã, convertendo os problemas em desafios e fazendo ver e crer que a tua dor é compartilhada por milhares de excluídos.
Mas, antes ou no curso das ações admiremos o postal que a natureza apresenta, compreendendo a racionalidade ou quem sabe, deixando mover-se pelo sentimento do belo tal qual o por do sol em reflexo nas águas do negro rio a dourar nossos sonhos com tonalidade de esperança, calando os rudes e alegrando homens e mulheres foliões da cidadania.
- Postado por: Comissão Editorial às 01h39 PM
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